Lima – Fragmentos 2 de 2.

5 –

(…) Alexandra havia voltado e aproveitamos para ir numa praia a uma hora de Lima. Os ônibus eram minúsculos e eu mal cabia neles(os peruanos são baixinhos). A estrada é tranqüila e pegamos dois ônibus comuns gastando algo como 2 reais. Como é bom conhecer um local!

(…) Punta Hermosa é um lugar de veraneio, muito bonito e semi-desértico. A praia era linda com ondas sensacionais. Ficamos ali curtindo um cafuné e o clima perfeito do mar.

(…) Além de álcool também era proibido levar cachorro na praia. Vi um local brigar com um guarda por estar com seu labrador. “Usted puede llamar a la policía, su madre e o padre. Mi perro se quedará conmigo aqui”.

(…) Despedi-me da Ale e foi engraçado porque fiquei um pouco comovido, dei um forte abraço e ela parecia uma estátua de sal. Brinquei com ela falando da frieza e ela: “I know I have Peruvian blood but in the end I am Swiss, sorry dear”. Dei um beijo carinhoso em seu rosto e peguei o ônibus.

(…) Chegando a noite no hostel escrevia freneticamente, bebendo cerveja e olhava as pessoas. Fazia isso deitado nos pufes pensando no que seria meu blog, nas primeiras histórias, nos personagens, no que iria botar e o que definitivamente não iria. Lembrava de todas os lugares e pessoas. Descobri como é gostoso escrever e viajar na reflexão da escrita. Era o começo real da história contada nesse blog.

(…) Dei uma pausa e fui ao bar pedir mais uma quando sou parado por um gringa querendo ver meu caderno com capa de couro e desenhos em alto-relevo inca. Sento com o grupo dela e quando vi já estava contando a minha viagem para eles e falando do meu blog. Eles chegaram à America do sul no mesmo dia que eu cheguei a Lima. Achei engraçado eles só buscarem contato depois de dias que eu estava no hostel. Entendi (um chute apenas) que eles, robóticos, precisavam de um tempo para me absorver ao contrário de um brasileiro, peruano, argentino ou australiano.

(…) Percebi que uma gringa americana sorria diferente e estava com os pés próximos aos meus. Conversamos um bocado e ela é do tipo loira tradicional do Texas, bonita, bem magra e branca pacas. Achei engraçado o jeito dela forçando uma barra para se mostra diferente, Cult e não-america “Yuri, I love Barack Obama”. La para as 9 os amigos delas iam para uma boate e ela me chamou. Pensei um pouco, estava cansado do dia na praia e eu sabia que era só mais um rosto bonito. Recusei, expliquei a ela e joguei:

– You can stay here with me and I am sure that you will like my sweet words.

Ela respondeu algo como as coisas não funcionam assim e eu falei que estávamos viajando, ela era maior e obviamente estava rolando algo bom ali.  Aproximei-me um pouco e roubei um beijo bem correspondido. Achei estava tudo bem quando ela se solta e diz que eu tinha que ir com ela ou nada. Fiquei confuso com a atitude dela, que vontade de ir numa boate rs. Suspirei um ok, dei as costas e fui dormir. A essa altura do campeonato mais uma mulher maluca, prefiro minha cama.

6 –

(…) Recebi a confirmação do avião para o próximo dia e esse era meu ultimo em Lima. Aproveitei para ver o mar pela ultima vez, comprar as ultimas muambas e despedir dos amigos do loki.

(…) A gringa doida veio me pedir desculpas (veio com um discurso muito estranho que eu apaguei da memória no mesmo segundo) e ia pegar um ônibus depois do almoço. Almoçamos juntos e consegui deixar ela com um pouco de cor até ela pegar o taxi.

(…) Estava muito tranqüilo, entendia bem aquele término e era incrivelmente gostoso saber que no outro dia iria voltar ao rio. Ver minha mãe, comer feijão, beber um café decente e o principal, enfrentar a vida com todo o aprendizado obtido na viagem.

(…) Nisso escrevia pacas até ser abordado por um cara que leu o caderno e gostou muito. Ele era australiano e acabei entendendo a fama desse povo. No mundo mochileiro pelas Américas, os brasileiros seguidos dos australianos têm a fama de serem os mais sociáveis e bagunceiros. Quatro cervejas depois éramos melhores amigos. Ele é uma figura, analista financeiro que ficou cansado dos números e decidiu viajar durante um ano com seus 30 anos. Já havia conhecido bastante coisa, inclusive ficou 4 meses no Rio de Janeiro e era apaixonado por uma brasileira. “Lá meu amigo, eu descobri o que é a vida e o que é o amor”. Convenceu a ir numa boate do Miraflores e fui. Botei o manto e curtimos a boate. Miramos duas chicas lindas e rapidamente já estávamos com elas. Depois não lembro bem, mas sei que uma delas me levou para outra boate, uma só com peruanos no meio do nada em um subsolo(os locais são os melhores!).

(…) Acordei sem lembrar de nada com a roupa do corpo no hostel. Lembrei do vôo e felizmente ainda tinha bastante tempo. Tomei café e fui recordando. Depois mala no taxi e meu amigo australiano iria até aeroporto comigo ir para Colômbia.

(…) Do nada apareceu um americano conhecido num taxi com umas peruanas trêbado, veio até mim, deu-me um abraço e disso: “thank you dude, last night I fucked those girls because of you. You are awesome!” Deu 50 dólares e foi embora. Até hoje não lembro que eu fiz(será que virei cafetão)((podia ter cobrado mais caro))(((em euros)))((((Porra Yuri!))). Hauhauhauhauh.

(…) No taxi olhava o pacífico e pensava na louca viagem. Até o final me mostrando que a vida é algo inestimável. Estava cansado, extasiado e calmamente Feliz. Era o fim daquela história e enquanto andava pelo corredor de desembarque do Galeão agradecia com todas as minhas forças, sentindo um arrepio indescritível e apertando com força minha mochila, ao cosmos pela experiência. E por fim, estava em casa.

Punta Hermosa

2

Alexandra e eu.

4

5

6

Brasil, Austrália e Peru.

GAME OVER!

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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