O VULCÃO CHACHANY

Relato para os gostam de trekking e querem ver boas fotos. Agradeço a Mario Nery pelo apoio total e paciencia, meu grande amigo marlon e a folha de coca.

80 dólares com transporte, guia, equipamento básico, janta e café-da-manhã.

4 dólares para alugar os bastões de trekking.

Equipamento: Bota cano longo, transpirável, impermeável e solado vibram. Mochila cargueira 80l e ataque 40l. Segunda pele, fleece 200, calça impermeável, casaco 3 camadas corta-vento. Meias coolmax(dois pares), luva fleece e luva corta-vento, toca fleece.

Barraca para duas pessoas, canivete, saco de dormir e lanterna de cabeça.

Tempo: Geralmente 3 horas com as cargueiras até chegar no acampamento + 7horas até o topo com as mochilas de ataque.

Dificuldade: Média para difícil com terreno extremamente acidentado, ventos fortes, frio intenso, trilhas sensíveis de neve diante desfiladeiros, gelo escorregadio e pequenas escaladas.

08:00 – Espero a van preocupado e Lembrava do fracasso para subir o Licancabur e sentia medo. Havia me preparado muito melhor, com duas boas noites de sono anteriores, sem beber álcool, alimentando bem e me aclimatando perfeitamente com longas caminhadas e alguns exercícios aeróbicos. Além dos chás de coca. Mesmo assim estava diante de um Vulcão mais difícil que o Lican: Falo do Vulcão Chachany, Arequipa, Peru. Perigoso, 6090m de altura e dois dias de trekking.

Então uma mistura de medo com confiança e tudo isso adicionado a vontade extrema de superar aquilo.

09:00 – Todos no carro: Motorista, guia Jimenez Guzman, meu amigo Marlon, eu, um espanhol e um inglês. O caminho é semidesértico com a pista divertida com varias subidas, descidas e um motorista louco.

10:00 – Chegamos a 5000 metros. Nunca havia usado minha cargueira num trekking de verdade, pesado e tal. Percebi que o modelo Symbium 4 da Quechua é realmente muito bom me deixando confortável com todo aquele peso. E foi assim todo o caminho, sempre na cola do guia, passo lento, cadenciado e continuo. Tenho que dizer que usar bastões faz toda a diferença, aconselho a qualquer pessoa a comprar um. Suas costas agradecem. Chegamos em duas horas e meia no acampamento.

12:30 – Acampamento com pedras grandes naturalmente  fazendo o corta vento e vista para Arequipa. Montar barraca, preparar a mochila de ataque e agradecer ao cosmos por chegar bem até ali. Na verdade nunca tinha estado tão bem em um trekking da viagem.

Marlon também estava bem, aliás, ele é naturalmente bom na altitude e nasceu para isso. Engraçado vê-lo declamar uns poemas no meio daquele nada ao olhar gozado do hermano e gringos.

Almoço foi uma sopa seguida de frango com legumes e sementes. Impressionante a fome com que comi aquilo e como me fortaleceu naquele ambiente. São nesses ambientes que percebemos como o chá de coca é eficiente.

15:00 – Hora de dormir, limpar bem o camping para os lobos não serem atraídos pelos restos de comida e deixar preparado a lanterna.

Infelizmente peguei um saco de dormir muito apertado então fica a dica. Sempre teste o saco de dormir na agencia, entre dentro dele sem frescura. Lá em cima não da para trocar e faz frio. Mesmo assim consegui usá-lo e foi bem difícil dormir. Passava mal com ânsias de vômito, forte dor de cabeça e muitos gases. Tomei bastante liquido e tentei descansar ao máximo. Despachava o medo na cabeça com a vontade insana de subir até o topo. Repetia na mente “eu vou subir, eu vou subir, Deus me ajude, se merecer, ajude-me a subir”.

Já bem escuro sai da barraca para urinar e senti o frio absurdo. O maior da minha vida e não sei como não congelei o yurinho. Voltei e consegui ter meu primeiro bom sono. Acho que dormi umas boas 4 horas de sono.

continuação da narrativa e fotos no final

01:00 – Acordamos no breu. Mochila de ataque pronta, tomei um gole da água, abri e sai no frio intenso. Respirei aquele ar, alonguei meu corpo e cheguei a conclusão positiva, com exceção de uma pequena dor de cabeça, estava ótimo.

Café da manha reforçado com sopa, banana, pão com geléia e ovos. Marlon estava bem, mas o espanhol e o inglês estavam péssimos. Com fortes dores de cabeça e algumas dores no corpo. Depois lendo sobre altitude e montanhas, descobri que esses sintomas são normais a má aclimatação e devesse tomar um cuidado enorme quando se estiver com dor de cabeça forte porque pode ser um sinal de um aneurisma.

02:00 – Mantia um ritmo regrado, sentia claramente a altitude afetando meu corpo e respirava com grandes sugadas seguindo o ritmo. Cada passo repetindo um mantra “até o topo” e sendo empurrado pelos protestos do linkin park bem alto nos ouvidos.

03:00 – A primeira parte é fácil com pedras enormes até chegar a um mirante em frente ao primeiro vulcão na seqüência de 4. Já estávamos 5500 e era meu novo recorde. Um pequeno descanso. A lua e o céu nunca pareceram tão próximos. O guia nos contou sobre algumas lendas Incas e explicou algumas técnicas de ascensão.

Agora vinha a parte difícil e perigosa. Iríamos contornar os vulcões até chegar ao mais alto.

04:00 – Basicamente era uma trilha minúscula, na inclinação da montanha. Se caísse era praticamente fatal. Eram necessárias algumas técnicas de montanha que usei com o maior cuidado. Parte mais tensa foi em uma vala com gelo escorregadio. Uma pequena escalada seguida de pulo. Pensava que até agora que a coisa mais perigosa havia sido o downhill de bike na Estrada da Morte, hehehe, estava enganado.

Chegada ao segundo descanso. Eu estava bem, pernas funcionando perfeitamente, boa respiração e orgulhoso por estar vencendo a altitude. O dia estava clareando e podíamos ver alguns vulcões dali. Era um encontro com o divino. Depois me perguntam por que subir em um vulcão, não há o que dizer, nada descreve aquele momento.

05:00 – Mas uma parte bem perigosa e até levo um pequeno tombo. Rapidamente Marlon e o guia me cercam e alivio seus temores dizendo: “só a bunda ta doendo pacas” rs.

Mais valas, escaladinhas e certo cansaço. Já estávamos a 5900 metros.

Marlon teve um principio de congelamento nos dedos das mãos. Perdeu um pouco o controle e quase surtou. Dizia que estava doendo muito e que nunca tinha sentido uma dor daquelas. O guia tirou as luvas dele e a do Marlon e começou a friquicionar com as suas próprias mãos e eu imitei com a outra mão. Realmente estava muito frio e no pouco tempo que fiquei sem luvas comecei a sentir uma dormência esquisita. É necessário fazer certos movimentos com as mãos, braços o tempo inteiro para não acontecer essas coisas. Passou o susto e continuamos.

05:30 – Já podíamos ver o topo e o pôr-do-sol já estava quase completo. Já podíamos ver a ultima parte até o topo. Apenas mais 100 metros.

Acontece que a cada 100 metros na altitude de 5800 metros é difícil pacas. Todo o esforço é triplicado.

06:00 – Quase no topo comecei a sentir a altitude como nunca. Diminui meu ritmo e mais parecia um zumbi. Suava bastante e sabia que meu corpo estava cansando. Só tinha uma coisa na minha cabeça. O TOPO.

06:20 – Chegada hiper emocionado e alterado ao cume. Onde recebi um forte abraço do guia que me parabenizou pela chegada. E outro grande abraço do também emocionado Marlon. Agradeci meu amigo por estar ali comigo, por me ajudar a viver o momento mais feliz da minha vida. Fiz um vídeo em homenagem aos meus pais e agradeci muito também. Depois fiquei admirando topo, vendo aquele mundo todo na minha frente.

Vulcão Chachany, Arequipa, Peru. 6090 metros. 04horas e 20 min de subida, novo recorde brasileiro da montanha.

Na chegada ao cume via ao fundo a cruz que simbolizava o ponto mais alto. Era o momento de glória, olhei em volta e tudo parecia ter outra cor, outro cheiro, outra energia. Caminhei confiante, sem sentir qualquer dor, qualquer medo, qualquer alegria, era ausência. Então num instante veio muitas coisas na cabeça, todo caminho feito até ali, toda a superação física e todas as pessoas que amo. Cada uma na minha cabeça, cada rosto, sentimento e presença. Cheguei à cruz e desabei ali. Chorei como nunca chorei nem nos meus momentos mais tristes. Chorei de molhar todo o rosto, de babar e soltar liquida pelas narinas. Entendi naquele momento que estava num estado transcendental, entendi que Deus me abraçava ali.

Nevado do Chachani

Com as cargueiras.

Camp

Parte difícil da trilha

No Topo!

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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5 respostas para O VULCÃO CHACHANY

  1. Mario Nery disse:

    Que isso brother! Estamos aí pra ajudar mesmo! Muito legal o relato, já está planejando os próximos voos da Andorinha Sagaz?? Abração!

  2. Antonio disse:

    Amigo, pode me indicar agencias em Arequipa para o Trekking no Chanchany??? não estou encontrando

  3. ale disse:

    Uau… acompanhei seu vv relato como se estive indo junto

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