LA PAZ – PORQUE LA PAZ MERECE UM FINAL.

Escritório do Evo

Não ia escrever sobre esse dia ou qualquer outra coisa a mais sobre La Paz. Acho um erro o que vou escrever, mas sinceramente não importa. Se você chegou até aqui no meu blog é porque gostou de algo e não vai parar pelo meu comentário e se você é um(a) novo(a) leitor(a) inteligente não vai parar apenas por uma primeira visão.

A viagem é algo vivo e espiritual, é como uma entidade que cultuamos com outros seguidores(mochileiros amigos) e revivemos através de oferendas e rituais(fotos, vídeos e textos). Sendo assim é algo difícil de guardar através apenas da memória, é preciso estar lá, no transe. Por isso não me sinto mais a vontade para escrever sobre a minha viagem mesmo faltando pouco para acabar, por isso cortarei muitos pedaços e dedicarei minhas energias as melhores lembranças restantes.

Porém não posso deixar La Paz sem um ponto final. E do mais, aprendi minha lição: quer escrever sobre a viagem, escreva durante a mesma e guarde bem os arquivos. Se não é igual o dançarino que sabe os passes mais falta ritmo.

La Paz

Final na terra de Evo

Passei o dia resolvendo meus problemas com o cartão de crédito. Acontece o seguinte, além de problemas de resgatar minha senha, eu precisei liberar meu cartão para transações internacionais movendo minha mãe no Brasil e algumas ligações internacionais. Passando isso ainda tive que descobrir que o Santander na Bolívia não sacava dinheiro em dólares e até descobrir isso, penei em Aymara. Consegui resolver, paguei o Loki e a passagem para o outro dia direto para Arequipa.

Despedi-me do amigo Eduardo que iria para o Brasil. Foi tão louco quanto me despedir do Gustavo, mas cada dia que passava estava mais tranqüilo e dessa vez senti-me vazio apenas, como se terminasse de ler uma grande saga encarnada. Lembro de ele me dizer: “para com essa porra Yuri e vem pro meu aniversário em Floripa.” Eu fui bem depois e conclui que de todas as pessoas do grupo, ele foi quem mais mudou com a viagem. Por ser mais novo sem dúvida e também por estar aberto a todas as possibilidades boas dela. Atrevo a dizer que ele começou a viagem como um moleque talentoso e terminou com um malandro.

Alpaca Junior Eduardo

Cheguei ao hostel já pronto para dormir, tomei um bom banho e na volta encontrei um grupo novo no quarto. Cumprimentei in english e fui para a cama arrumar o resto de mala. Quando eu vi o grupo começou a conversar em português e percebi também o olhar curioso de uma morena vestida como quem vai ao forró. Era bonita e conversa fluiu fácil. Contou-me que já deveria ter ido embora, que perdeu um avião porque não podia pagar a taxa de embarque, o grupo ali viu ela chorando no aeroporto e decidiu ajudá-la. Fiquei feliz com a história, vi mais um grupo de boas pessoas na viagem. Também ri quando ela falou que era gaúcha, mais uma gaúcha louca. Rs.

Fui ao bar depois, estava o grupo novo por lá espalhado entre os gringos e eu fui me despedir do Guilherme e sua trupe. Eles me contaram que um conhecido deles havia sido assaltado. O tal foi a um puteiro da cidade e levou um boa noite cinderela. Roubaram todos os pertences e mais euros da conta. Felizmente não teve agressão física e o cara tinha grana para continuar a viagem.

Terminada a história triste conheci um pouco mais do compatriota. Bebemos a saidera da cidade enquanto ele me falava do rio, da viagem e é claro das mulheres. E nisso acabei cruzando olhares com a nova gaúcha. Não liguei muito, estava pensando no resto da viagem. Até que ela veio até nós e contou sua experiência com num grupo religioso em Cuzco tomando chá de cactus(um potente alucinógeno). Contava as coisas com paixão e vi a melhor descrição corporal de uma viagem alucinógena. Também xingava os gringos robóticos dali. Depois foi embora como veio. Eu e o amigo rimos daquela figura e decidimos tomar mais uma em homenagem as mulheres. Ele falava para mim, “porra Yuri, a mulher estava te dando muito mole e você ai paradão”. “Deixa cara, a viagem continua”. Meia-hora depois ela aparece de novo, chega e fala: “não consigo dormir”, amarra o cadarço no meu banco e vai embora de novo. Só ouvi a ordem, “moleque, vai!”. Eu fui, abri o quarto e descubro que a figura estava exatamente na cama de baixo do meu beliche e já “dormindo”. Fecho a porta e novamente sigo meu destino pelos pampas gaúchos.

E o que mais dizer… Cheguei em La Paz despretensioso, de saco cheio de aturar má educação e mesmo assim a viagem tratou de diminuir minha arrogância dando-me tantas experiências incríveis. Então digo, La Paz é uma cidade a ser visitada, umas das mais importantes da viagem e talvez a cidade mais louca que já conheci(não, não, continua sendo o Rio de Janeiro, definitivamente a cidade mais louca do mundo).

Guilherme no meio e sua trupe carioca.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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