La Paz – MUAMBAS, DESPEDIDAS E FLORES

Filhote de lhama mumificado. This is Bolívia!

A Muamba – O dia foi dedicado a muamba e fiz uma especialização na arte de pechinchar em espanhol. Algumas compras no artesanato do mercado das bruxas destacando um quadro demais com metal com alto-relevo num desenho tribal do Deus Inca Condor que protege a casa. Também andei até o mercado onde vende eletrônicos e nisso eles realmente são bem baratos e segundo fontes só perdem para o Paraguai. Comprei um player lá potente e fiquei tentado a comprar uns celulares.

Mas o que mais me fez sentir capitalista foram as lojas de trekking.O paraíso para quem gosta de esporte radical. Tudo baratíssimo, funcionários simpáticos e bons de negociar. Compramos de tudo por lá. Eu comprei meu bebê de ataque (uma mochila North face), um casaco camada tripla Columbia e um canivete. Material de ponta que gastei uns 300 reais lá e gastaria uns 1500 reais aqui tranqüilo.

Lá também encontrei os outros brasileiros do Loki e almoçamos juntos. Na TV passava uma tourada e desconhecia que essa era uma atração na Bolívia. Só vi a até a primeira estocada  no touro e depois fiquei de costa nauseado tentando esquecer daquilo. Independente dos costumes de cada povo, ainda fico impressionado com a violência e crueldade com qualquer ser. Faz parte de mim isso e é está além da minha lógica. Ver um animal ali, que tanto nos ajuda a sobreviver, ser torturado lentamente sangrando até a morte é algo desprezível. Tirando o pobre do boi o almoço foi bom com o povo cansado, mas feliz das compras.

(bebeth: “olha minha maquina nova, que bonita” )

Despedida

Um dos dias mais profundos da viagem. Gustavo iria embora em alguma horas e Eduardo no próximo dia. Meus grandes companheiros de viagens e agora definitivamente irmãos eternos. Eu comprei um caderno de capa de couro decorado em alto-relevo com símbolos da cultura Inca e nele dedicava pensamentos meus, desenhos e recados de pessoas preciosas que encontrei no caminho. Edu e Marlon também possuíam um desses e trocamos dedicatórias no Land Rover. Ali refleti tudo que representava essas pessoas incríveis na viagem e na minha mente. A sensação era de vazio e perda enorme. Não estava triste e de certa forma sabia exatamente o que escrever. Lembrei de outros momentos como esse na viagem. De quando me despedi das queridas floripanas, dos amigos do salar, do grupo em Arequipa e entendi que aquilo era mais uma etapa no meu processo de maturidade. Entendi o quanto a viagem é rica, o quanto eu estava ficando forte e que a despedida diante aquelas pessoas era só um símbolo forte da superação ao enfrentar uma situação dessas.

Lembro de umas das ultimas coisas que disse a Gustavo: “Gustavo, você é um filho da puta” e dei um soco nele. E ele “Poxa, foi a coisa mais carinhosa que você já me disse”. Vi o partindo no taxi discretamente emocionado como bom macho que sou, dei me conta que não vazia idéia de como ia superar aquilo, mas tinha certeza que a viagem ia me mostrar.

A noite

A noite no Loki aproveitei a calmaria no quarto para escrever um pouco e depois fui ao bar  Não podendo evitar um pouco de melancolia no olhar. Havia uma festa a fantasia no bar e a gringalhada toda estava fantasiada e os brasileiros estavam reunidos numa das mesas grandes. Meu humor foi mudando conforme fui recebendo carinho tupiniquim hora do brasiliense de 3 bundas(hiperlink), ora de um mineiro chato, ora dos cariocas, ora dos gaúchos. Sacaniei um pouco o Edu por estar de ressaca, a Leila imitando as caretas fazidas dela e já tava animando de novo quando vi a gauchinha entrando.

Fingi não percebê-la e cumprimentei-a com uma falsa surpresa. Olhei para aquele rostinho bonito e munido de um feeling forte decidi que a Beth ia conhecer um pouco mais do povo carioca aquela noite. Papo vai, papo vem, cerveja para ca e para lá. Umas aproximações fingindo não escutar, não entender e fiquei na dúvida dos pensamentos dela. Então decidi por algo mais direto, uma conversa levando ao mau caminho, umas encostadas e aquele olhar direto nos olhos. Conclui de segunda: ou ela era muito difícil ou muito tapada. Estávamos juntos ali, como amantes, mas sem fazer nada. Ela parecia gostar da situação. Enquanto isso tudo rolava na festa, apareciam palhaços, malabaristas e até meu mestre Guilherme declamou um poema emocionante do Fernando Pessoa. Terminado os eventos o bar estava para fechar e eu tinha que ir para o tudo ou nada. Apenas munido pela forte confiança no meu feeling, percebendo que ali, entre eu e ela havia algo forte, promissor e desconhecido, eu fui com tudo. Puxei-a e ela percebeu em instantes o que eu ia dizer, seus olhos brilharam rapidamente e já esboçava a resposta que eu não queria ouvir. Falei qualquer besteira com intensidade e ela novamente falou do namorado, agora com palavras. Ainda insisti, mas naquele momento ainda não a havia conquistado, estava quase lá. Ela falou qualquer coisa com “não” e eu recusei uma trégua. Fiquei um pouco ali no bar com cara de bunda e decidi curtir o resto da noite indo a boate com os amigos cariocas. Depois soube que meu feeling estava certo, que por um tris não consegui o queria e que minha ação causou uma reação que dura e é discutida até hoje. Mas essa é outra história. E foda-se também.

De lá ia dormir então o mestre Guilherme me convenceu a ir com eles. Estava meio duro,  mas o grupo de carioca deu o suporte financeiro e eu fui com animo renovado. O lugar foi dos mais esquisitos num quarteirão aparentemente residencial onde entravamos por um portão pequeno passando pelos seguranças, passávamos por um corredor de luz vermelha saíamos de frente para uma casa grande que parecia uma casa normal, com limo nas paredes e pouca iluminação, dávamos uma volta para chegar em outro corredor de luz azul até que passávamos por um portal de plástico grosso e ai sim…chegar no salão médio da boate. Achei demais aquilo, rapidamente o lugar estava cheio, os amigos cariocas dando um suporte nos drinks e na moral. Logo senti um olhar enquanto conversava com o mestre discursando sobre os gringos introspectivos e vejo uma coisinha bonitinha e decotada do outro lado do salão. Era fácil até, ela mandou o olhar de vem logo que estou esperando. Cheguei e adivinha, mais uma brasileira com amigos bolivianos (duas chicas e um Chico). Logo estávamos aos amassos e via estupefato os amigos delas se pegando ali com tudo. Empolguei-me e levei-a para o segundo andar onde era tudo estrategicamente escuro e cheio de buracos. Escondemos-nos ali sem se envergonhar com as nossas vergonhas(meu pensamento metade ali e metade acolá). Tudo bom até ser interrompido pelo vilão vestido de segurança. Tentou uma propina e disse categoricamente “não”. Fui convidado “gentilmente” a sair da boate, o que fiz feliz com a rebeldia instantânea. Do lado de fora ainda encontrei uma figura e adivinha… Brasileiro. Um louco dono de um puteiro em La paz, me convidou a tocar violão lá e ganhar um salário em La Paz, disse-me “ Yuri, você é um rapaz bonito e tem boa voz, uma semana comigo você terá comido todas as melhores chicas de La Paz”. Ri daquilo, despedi-me do novo amigo declamando falsas esperanças e peguei um taxi direto para o hostel.

No meu quarto cai na cama cansado e feliz pela noite. A viagem é algo inacreditável até o final, mesmo nos piores dias, mesmo quando pensamos “hoje fodeu tudo”, ela mostra, ela bate na sua cara, ela grita: “YURI, A VIDA É LOUCA, ABRA OS BRAÇOS PARA ELA SEM MEDO, VAI FUNDO PORRA, SEM JUIZO, SEM JUIZO”.

Mercado das bruxasRua Sagarnaga

Rua Sagarnaga

Festa a fantasia.

Alpaca Master Gustavo!

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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