LA PAZ 2 – DEATH ROAD – Estrada da Morte

Começo. AS FOSTOS ESTÃO NO FINAL!

07:00 – Acordo, banho, ressaca, café e chá de coca.

08:00 – Esse era o último passeio com o grupo todo unido, agora muito mais como uma família e era gostoso a cumplicidade entre nós. Eu, Gustavo, Renata, Li, Larissa, Eduardo e Diego. O caminho é bem interessante logo estávamos fora da cidade numa área cada vez mais desértica, até pegar uma avenida e parar no topo da montanha em frente a um lago.

09:00 – Testamos nossas bicicletas e equipamentos.  Impressionante como o tamanho dos pneus da bike assim como o seu super freio a disco que a fazia levantar facilmente. Conhecemos melhor também nossos companheiros: uma holandesa e uma dupla de Canadenses. E também os 3 guias bem habilidosos e profissionais.

09:30 – Bem frio começa o down hill. A estrada é um tapete e a paisagem é algo inacreditável. Falo emocionado a lembrança de tanta estupidez, sim, estupidez de beleza e tamanho. Causando vertigem e derrubando lagrimas a 50 km/h.

A velocidade é impressionante e a sensação de descontrole é grande. No começo tive um bocado de medo e fiquei com o ultimo grupo. Os grupos foram divididos por guia entre rápidos, médios e lentos. A bike faz um barulho quando atinge certa velocidade, não adianta pedalar, não faz diferença e nas curvas a sensação é das mais loucas. Na hora pensei “definitivamente essa é porra mais perigosa que eu já fiz na vida”.

10:30 – O guia ia parando em vários pontos para tirarmos fotos e fazer vídeos. Nessa hora já conseguia acompanhar o grupo do meio descobrindo o mesmo do Kart, nas curvas confie no seu pneu e foda-se. Incrível também que os guias quando filmavam simplesmente continuavam pedalando, viravam o corpo para trás e ficam desse jeito durante uns minutos. Legal também ver o Alpaca Gustavo sem medo, pedalando perigosamente sem as mãos e dando o grito característico dele.

11:00 – Chegamos a parte de terra. Depois de passar por um pedágio e ver outros grupos. Um pouco de tensão, pois Larissa não havia aparecido, logo veio a noticia que tinha acontecido algo com ela, alguns minutos de preocupação até o rádio explicar que tinha sido só um pneu furado. Chega ela com aquele sorriso oriental, para o nosso alívio.

11:30 – Começa a ESTRADA DA MORTE. A estrada antigamente era de veículos de carga e única para certa região. Acontece que a estrada é feita de pedra, precipícios, terra e mal cabe nossas bicicletas. Agora imagina um caminhão de carga. E agora imagina dois em sentido contrário. Então depois de um recorde de acidentes fatais, ela ganhou esse nome, Death Road. Hoje em dia existe uma boa estrada de asfalto onde os veículos podem passar com segurança. Infelizmente ainda existem mortes nas bikes. Cerca de 7 pessoas morrem por ano fazendo o que eu fiz. Se estabacando no chão e nos precipícios.

Talvez  alguns de vocês estejam se perguntando… “mas Yuri, você não sabia disso?” Sabia e é claro que me precavi ao Maximo respeitando meus limites, ouvindo atentamente o guia e alugando um dos melhores equipamentos para descer. “E o risco?” O risco vale, todos os dias transito pelo Rio de Janeiro podendo ser alvejado a qualquer hora nessa violência urbana e nem por isso deixo de fazer as coisas que amo, as coisa que valem a pena.

O video acima vale uma olhada, principalmente as cenas on board onde é possível perceber a velocidade e perigo que a estrada proporciona. AS FOTOS ESTÃO NO FINAL!

12:00 – Agora eu estava dominando a bike, no grupo rápido e entre os primeiros. O caminho fica um pouco mais lento que no asfalto, mas muito mais perigoso e difícil. Deve-se ter cuidado com as pedras para não furar o pneus ou perder o equilíbrio. A adrenalina a mil, estava explodindo de euforia e como no kart eu só pensava alucinadamente numa coisa, andar ainda mais rápido.

13:00 – Varias paradas para fotos e lanche. A vista é algo dos sonhos. Uma floresta tropical nas grandes montanhas, com cachoeiras e parecendo o mundo dos dinossauros. Definitivamente um dos lugares mais maravilhosos da minha vida.

13:30 – Começa a parte mais rápida da descida. Na bike era necessário ficar um pouco em pé para que não machucássemos a virilha(pior para os homens) nos muito buracos.

Vim de último porque fiquei ajeitando o equipamento e sai passando todo mundo, alucinado e com um sorriso louco no rosto. Abaixava até praticamente deitar na bike melhorando o efeito aerodinâmico do corpo, ouvindo os pneus reclamando ao aumento da velocidade, sentindo o esquadro tremer cada vez que ultrapassava e as pedras resvalando. As curvas feitas no limite deixando a bike sair de traseira ao lado do precipício, o vento zumbindo em meus ouvidos e a respiração ritmada. Estava extasiado e totalmente fora de mim.

14:00 – Comecei com o Alpaca Eduardo uma disputa alucinante com os Canadenses, ficando de lado nas curvas, resvalando pedras nas curvas e levando bronca do guia.

14:30 – Paramos antes da ultima parte. Vi um cara desmaiado no chão, achei estranho e conversei com os amigos deles. Eles brincavam falando que ele estava bêbado e era um grupo de Australianos. Depois ele levantou e me mostrou o que aconteceu, ele havia quebrado o dente da frente e mostrou até o dente. Levou um tombo. Tenso!

15:00 – Ultima parte com direito a ladeira, finalmente usamos as marchas e o negocio era ter perna. Agradeço as aulas de bike indoor do Amigo Jonathas que me deram um fôlego extra. Logo só restavam nós 4 novamente disputando a ponta. Edu começou a ficar para trás e disputei curva a curva com um Canadense até um momento crítico que ficou muito arriscado e o guia pediu(gritou) para que andássemos em fila indiana. Foi uma ótima luta e tenho que dizer que o Canadá ficou com o ouro. Rsrsrs

16:00 – Descansamos em um bar. O corpo todo aquecido e dolorido. Pela primeira vez na minha vida tive câimbra no punho, nem sabia que existia isso.

16:30 – Estávamos em um hotel na montanha. Bem bonito, com piscina, sauna, restaurante e uma vista sensacional. Brincamos na piscina, novamente sendo observados pelos gringos robóticos. Um bom almoço onde comi com a fome de 5 mendigos e o ótimo chá de coca. Tomei o sentado em uma cadeira num mirante com os pés para o alto.  Distrai-me um pouco, quando vi a Holandesa estava ao meu lado e começou a puxar papo. Percebi um interesse da parte dela, contou-me que é barwoman em Amsterdan e que só trabalha para viajar. O papo tava ótimo, mas não me interessei e prometi falsamente de ter uma saída em La Paz.

18:00 – Estávamos na cidade, exaustos e satisfeitos. Na certeza que aquela foi um dos momentos mágicos da viagem.

Quando carros passavam pelo estrada. Tenso!

A estrada é inacreditável.

O grupo.

Coroico

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
Esse post foi publicado em Bolívia, Trilhas - Trekking e marcado , , . Guardar link permanente.

3 respostas para LA PAZ 2 – DEATH ROAD – Estrada da Morte

  1. Michelle disse:

    Nossa, que demais! Não vejo a hora de descer a montanha tb! uhuuuuuuuuu! Yuri, teu blog é super completo, valeu pelas informações! Bjão!

  2. Miller disse:

    Demais cara, estamos programando essa aventura para junho de 2013, tem uma galera aqui de Ji-Parana – Rondonia que é animada nos pedais, tem varios adebitos de ciclismo e trilheiros, parabens pela aventura!!!

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