Isla del sol

Parte sul

Existe sempre um papo comum entre mochileiros em que trocamos informações bem úteis na maioria das vezes. Como qual é o povo mais simpático, o melhor guia, agencia, a mulher mais simpática, gostosa e o que mais aprecio, o lugar que está com uma boa vibe. Existem os lugares mundialmente famosos como o Rio de Janeiro no carnaval, ilha grande, as Chapadas, a Patagônia, Machu Picchu e etc. E existem os lugares menos conhecidos que eu ouvi falar desde o começo da viagem. O Salar Uyuni, Vale Del Colca, alguns lugares na Colombia, Equador, Venezuela e a Isla Del Sol.

A ilha é dividida basicamente pelos vilarejos da parte Norte e Sul. Os dois lados são bem pequenos e rústicos. O norte é mais turístico e o sul é mais roots onde as pessoas podem acampar na praia e o clima é de paz total. Existem ruínas e uma trilha que atravessa toda a ilha.

No percurso de barco passamos uma hora conversando com casal de dinamarqueses que viajava com um lindo bebê. Eles eram diplomatas de Brasília e foi engraçado conversar em português com o nórdico até que ele descobriu que eu falava inglês. “Ahhh I am here trying hard to talk portuguese and you speak english, don´t do that man”. Era uma família bonita que aproveitava as ferias de um mês para viajar pela América.

Os dinarmaqueses

Chegamos ao sul da ilha e nos despedimos do povo. Eu e Gustavo iríamos ficar para curtir melhor o lugar. Os outros tinham tempo curto de viagem e o Edu eu não faço ideia porque não quis ficar. Não entendi até hoje.

Ficando lá, arrumamos uma casa de morador que alugava quartos bem simples (cama, parede e janela) com banheiro comum. Não havia luz, a comida tinha horário certo em apenas alguns lugares e havia algumas vendinhas onde compramos vinho de caixinha, yogurt e biscoito. Com o básico pronto, demos uma volta no vilarejo, comemos uma hamburguesa com papas fritas de 8 bolivianos e percebemos duas coisas que estavam mudando naquele lugar isolado e de certa forma em toda Bolívia: os locais estão cada vez mais gananciosos, elevam o preço sem um mínino de honestidade e talvez por essa ambição, talvez pelo governo que é mais agressivo com o estrangeiro, talvez pela falta de organização geral e diferença social evidente, os bolivianos estão muito rudes e mal educados.

Esquecemos isso de volta a praia e olhando o Titicaca imponente com a cordilheira reinando ao fundo. Percebemos as barracas onde dominavam os argentinos hippies, brasileiros de todos os tipos e alguns gringos indefinidos, brancos como só eles. Todos compartilhando uma expressão calma vezes sorridente, vezes contemplativa.

Conhecemos alguns brasileiros de cara, logo sacamos o violão e tambor para tocar na praia. Cerveja, vinho de caixa (hehehe), biscoito, brasileiros fazendo bagunça e Jorge Ben fazendo sucesso. Logo o pessoal foi se aproximando e quando vimos já havíamos conhecido umas 30 pessoas e uma amizade natural formou-se entre um grupo de argentinos únicos que dançavam e faziam malabares com o ritmo do violão. Até o alpaca tentou um pouco com umas bolas e despertou risadas dos hermanos. Num momento de paz descansei o violão e deitei ali entre eles e tirei o melhor cochilo da viagem. Acordei depois já ao som do violão e inspirado toquei um pouco de Tim Maia e forró que de fato é sucesso entre o povo latino. Depois eu e Gustavo tomamos um banho no gelado Titicaca de água cristalina (bom dizer que eu sou um dos poucos a me banhar por lá).

No outro dia nos juntamos com duas paulistas e fomos conhecer a trilha. É preciso pagar um taxa de 20 bolivianos para entrar que deveria ser optativa para ajudar o povo local. Acontece que eles estão botando como obrigatória o que ignoramos e passamos sem pagar. A trilha é realmente muito bonita, podemos ver o quanto a ilha é diferente com suas águas cristalinas. Fomos até bem alto onde pudemos ver algumas aves de rapina de perto. O caminho é bem tranqüilo e bem pavimentado. Vimos as ruínas de longe e não entramos porque não queríamos ter mais uma discussão por não ter os tickets. Hoje em dia penso que seria uma boa comprar pelo menos um dos convites (cuidado que os espertos cobram os convites em pelos menos 4 pontos da trilha, se comprar o convite, guarde ele e não de para ninguém, apenas mostre).

Voltando ficamos na dúvida de ficar mais na ilha ou ir a La Paz onde nossos amigos nos aguardavam. Acabou que optamos por ir e tivemos uma longa despedida com nossos amigos argentinos, com mais violão, malabares, chás duvidosos e longos abraços. Além disso, recebemos o nosso primeiro “Suerte Tchê”.

Praia

Trilha

Trilha

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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Uma resposta para Isla del sol

  1. Bárbara disse:

    Belo post! Acompanhando sempre que dá, a sua rota por alguns países da Sul Americana Américal!
    bjos

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