Arequipa V – Greve – El paro, Carajo!

El paro

Um dos dias mais estressantes da viajem. Acordamos com o barulho de buzinas dos ônibus que desfilavam em uma fila sem fim com os dizeres “El paro, carajo!”. Era a greve de transportes que parava todo o Peru e se concentrava em Arequipa(que sorte, não?). Então passamos o dia atrás de alternativas.

Primeiro tentamos algo com a agencia que não conseguia nada oficial, mas estava tentando um ônibus fura greve. Adiantava que era inviável já que os grevistas apedrejavam veículos que tentavam passar pelas estradas.

Depois tentamos uma idéia louca que muito me agradou. Iríamos alugar um carro e ir por conta própria. O preço era até razoável 35 dólares para cada com gasolina. Uma caminhonete Toyota. Fomos ao encontro das Floripanas e elas estavam no meio de um discussão acalorada(achei graça)((Lembrei das meninas do meu grupo)). Convidamos para a aventura e elas ficaram de pensar a respeito. Não fiquei esperançoso. Apesar de serem bem maduras, eram novas (19 anos) e tinham medo da estrada.

Podia ter dirigido um desses nas estradas do Peru.

Encontramos com um grupo de brasileiros e eles toparam. Chegamos a agência e preenchemos a papelada. É só apresentar a carteira de habilitação nacional brasileira, ser maior, pagar o seguro e assinar termo de compromisso. Tudo pronto, sorriso louco no rosto, pensamento super-rubber-tramp e uma ligação telefônica. A linda funcionária peruana nos informou que o dono dos carros não estava deixando alugar para fora da cidade porque estavam realmente apedrejando qualquer coisa que furasse a greve (caveirinhas, jogos da velha e trovões).

Soubemos de outra agencia que alugaria um ônibus, dessa vez juntamos todos os brasileiros e fechamos um ônibus. Estávamos acertando e eu iria mandar um email para a agencia em Cuzco. No próximo dia seria nossa trilha para Machu-pichu. Achei um agente no MSN e depois de algumas grosserias conseguimos nos entender. Ele me aconselhou efusivamente a não ir naquela greve, que seria perigoso. Aquilo foi um balde de água fria e comuniquei isso para Edu e Gustavo. Concordamos em tentar no outro dia com calma. As meninas também desistiram. Como eu me sentia cansado!

Estrada Bloqueada

Passava pela Praça das Armas e o clima era tenso com policiais enchendo todo o local,  as ruas ao redor e mais polícias chegando. Eles estavam todos muito bem equipados e armados no estilo tropa de choque. Sempre ouvi falar que os protesto da America fora do Brasil são bem mais violentos, sérios e aquele preparo todo me deixou tenso e ansioso. Em maior parte porque de certa forma era legal fazer parte daquilo, quantas pessoas tem oportunidade de participar de um acontecimento tão profundo em um país? Isso é mochilar e possui um valor forte. Não aconteceu nada e até onde soube a confusão maior aconteceu nas estradas com presos, vidros e narizes quebrados e bombas de efeito moral.

Ainda pegamos um taxi e fomos até a estação comprovar a greve e depois fomos até o aeroporto onde nem havia mais vagas. Lá encontramos o tarado do Michael e nos despedimos.

Área rural da bonita Arequipa

Para não perdermos o dia, fechamos um rafting( 40 dolares) de nível 4 para a manhã seguinte. Achamos outro hostel, o bolonhese(não se escreve assim mas se fala) e adoramos o lugar. Simpático, apenas 13 soles, com cozinha, espaço para tocar violão e um clima brasileiro. A dona adorou nossa presença, principalmente a do Gustavo que também andou pelado por lá. A dona só ria(tia tarada).

Anoitecendo fomos tocar violão na praça, já não havia mais policias do choque e duas garotas de seus 16 anos vieram falar conosco. Na verdade elas se apaixonaram pelo Eduardo. O violão tava maneiro, mas logo elas nos cansaram, principalmente o Edu. “No cree en Dious?”, “Te gusta naruto?”, “ Te gusta crepúsculo?” Saímos da lá zuando Edu Alpaca Junior Crepúsculo até chegar no hostel.

De noite decidimos sair para encher a cara. E paramos num pub, numa rua lá estilo calçadão. Estava com pouca gente, mas havia um bom rock tocando alto. Bebemos, falamos do grupo, das sulistas, besteiras e trocamos histórias sacanas sobre mulheres. Não me sentia bem e acabei pensando em asneiras referentes ao declínio dos machos. Os dois me sacanearam com isso e em revolta na hora de ir embora eu subi por uma escada tosca até o térreo do pub. Os outros me seguiram,tentaram me impedir e acabaram subindo também. Que sensação boa, podia ver vários telhados ali e o vento frio ajudava a me sentir livre. Não agüentei e gritei. “Porraaaaaaa eu to aquiiiiii”.

ps.: Também pensei nos Beatles. rs.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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