Arequipa III – Trekking no Vale del Colca – O Condado

Arrumava minha mochila de ataque as pressas. Enquanto entupia minha Targus guerreira, pensava em tudo e era bombardeado por problemas simultâneos:  dividir as coisas do Gustavo Alpaca com Edu(o infeliz não tinha mochila menor), ajudar a anta achar as coisas dele, aturar o motorista atrasado, “vamos, vamos chicos”, a guia também atrasada me pressionando, o resto do grupo trocando informações sobre os roteiros e dois turistas americanos encantados com o nossa aventura o Trekking pelo Vale Del Colca.

Tudo pronto e mais um ônibus até uma área de plantações e uma estrada de terra longa até o começo dos cânions(20 minutos). Éramos o americano Michel, o pernambucano José, eu, Gustavo e Edu. A guia era Maria: baixinha, nova e simpática. Lembro de Maria explicando pacientemente sobre tudo na trilha, aturando nossas muitas brincadeiras sempre sorrindo e nos ajudando a tocar violão no hostel.

Do começo da trilha era possível ver parte do vale e o nosso destino, 2000 metros abaixo. Um Oasis no meio do vale, lindo até mesmo de tão longe. A vista novamente tirava o fôlego, diferente e selvagem. O caminho era largo, fácil e durante a caminhada pudemos curtir a paisagem com calma e tirar muitas fotos. O mais incrível ali era ver as comunidades minúsculas do outro lado no coração da montanha. Imaginem o tipo de vida que essas pessoas levam, o frio que suportam e o trabalho de toda vez que quiser sair dali ter que fazer essa longa trilha e mais um tanto de estrada.

Oasis

Num momento José viu um lagarto raro, pedia silencio com o braço erguido e preparava a câmera cuidadosamente quando Gustavo deu um grito “Eu vi, eu vi, caralho!!!” e o bicho sumiu entre as pedras. Nosso amigo nordestino olhou decepcionado para o Alpaca, desceu calado e desconsolado pela trilha enquanto zuávamos ferozmente nosso amigo(só ele).

Chegamos ao rio furioso e perigoso. A ponte balançava a cada passo e adorei ficar pulando nela igual criança. Oh! Lugar Bonito!

Alpacas

Depois subimos até os vilarejos, a parte mais incrível do passeio. O caminho era feito entre hortas, pomares, casinhas e mini-fazendinhas. Parecia o Condado, vilarejo dos Hobbits da saga Senhor dos Anéis. Tudo incrivelmente adaptado ao pouco espaço e o terreno irregular da montanha. Almoçamos em uma das hospedarias de frente a um jardim bonito e pensei que ia sair o Sam servindo o almoço. Sopa de milho, salada, arroz e carne de alpaca. Simples e gostosa.

Lembro de José nos ensinando sobre o fruto do cactus e falando com orgulho de Pérnambuco. Falou-nos que o fruto é comum no nordeste. A guia acrescentou que é também popular no Peru e nos mostrou um parasita do Cactus que é usado para tingir roupas.

O fruto do Cactus

Chegamos a uma parte mais populosa onde havia uma praça com igreja e prefeitura surreis construídas ali na montanha selvagem. Depois a trilha voltou a ficar selvagem onde as rochas eram avermelhadas e era possível ver boa parte do vale iluminado pelo sol. Fantástico, sufocante e delirante ver aquele mar de cores e energia. Emocionei-me com tanta beleza e novamente estava em um lugar único nesse mundo.

Andando mais um pouco encontramos um campo de futebol meio apagado entre as ruínas e mais adiante uma ponte para o Oasis. O lugar é dividido em poucos hosteis, todo temático, bem cuidado e paradisíaco com quedas d’agua, choupanas de madeira e palha, piscinas naturais, sem energia elétrica, pessoas de todo mundo e vista para o vale.

A oca(quarto) era para nós 5 com camas confortáveis e chão de terra fofa. No caminho para piscina encontramos as simpáticas floripanas do Atacama(hiperlink). Batemos um papo rápido falando dos nossos roteiros, relembrando nossos nomes e nos despedindo novamente. Cecília, Amanda e Luiza ainda vão aparecer um bocado nos meus posts e foram preciosidades para nós 3 e posteriormente para outro também. Depois pulamos na grande e bonita piscina. Vimos o sol enfraquecer ali e os gringos em seu ritmo robóticos nos olhavam fazendo bagunça como se fossemos animais exóticos.

Todos aproveitaram para descansar e eu, sem conseguir dormir, sai para admirar o Oasis. No caminho encontro Cecília e Luiza, conversávamos seduzidos pela encantadora novidade recíproca. Percebi duas coisas, primeiro que Luíza é uma graça e segundo, Michel tirava fotos com seu potente zoom meio escondido no mato. Achei aquilo meio esquisito, mas na hora não liguei. Depois quando me despedi dele no aeroporto de Arequipa ele me mostrou várias fotos que ele tirava como um voyeur. Vi a foto desse momento em que conversei com as meninas e parecia foto de espião escondido no mato (weird Guy). Senti-me cansado depois do papo, pedi licença e fui dormir.

Amanda, Cecília e Luiza

Acordei com os gritos Maria “vamos Cenar”. Era noite e fazia frio. O lugar da janta era perto da piscina e iluminado por velas. Com todos aglomerados ali, o frio diminuía bastante. Comi meu espaguete a bolonhesa acompanhado de uma cerveja.

Depois da comida bebemos mais cerveja e convidamos as meninas para curtir o violão conosco. Rappa, Jorge Bem, Jota Quest e depois fui amenizando com legião, Nando Reis, Natiruts e por fim conquistando com Cazuza, Djavan e Chico Buarque. O clima estava ótimo e estávamos cheios de más(boas) intenções com elas que não davam muitas brechas. Ficava tarde e todos dormiram para trilha do próximo dia.

Cai na cama pensando no dia maravilhoso que passou, em minha família, na sorte que eu tive de estar com dois grandes amigos ali e é claro nelas. Perguntava por que não havia tentado nada, numa situação normal seria bom esperar e deixar para o outro dia, mas numa viagem como essa cada oportunidade pode ser única e como deixá-la me olhar com aquele sorriso e não fazer nada ? E como acalmar meus instintos primitivos lembrando daquele cheiro?  Lembrei então de uma frase de um tio. “Lá vai você de novo viajar com os brinquedos novos”. Ri, espantei esse pensamento mesquinhamente verdadeiro da cabeça e dormi.

Fazendo pose. rs

Anúncios

Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
Esse post foi publicado em Peru, Trilhas - Trekking. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Arequipa III – Trekking no Vale del Colca – O Condado

  1. Pingback: Arequipa V – Greve – El paro, Carajo! « Plano Andorinha Sagaz

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s