Peru – Arequipa – Primeiro(night) e Segundo dia(Vale del Colca)

Eu, Larissa e Gustavo

Violão – O violão tocava músicas no nosso ritmo, gostoso e manejado por mim e Larissa. O tambor nos ajudava com Eduardo e Gustavo revezando e nos energizando. Renata, Marco, Li e Carol cantavam, cortavam legumes e cozinhavam o cheiroso feijão com carnes diversas. O clima do grupo era uma dos melhores em toda a viagem. O céu era de um azul límpido e o sol brilhava ameno no terraço do hostel Mama Claire. A cerveja gelada combinava perfeitamente com o canto, as palavras, piadas e a cumplicidade estampada em cada rosto. Enquanto comia a feijoada, matava minha saudade imensa de comer feijão preto, olhava as pessoas e as reconhecia. Registrei aquele momento precioso e vi que ali, apesar de diferenças e discordâncias, éramos uma família.

Passeio – Fechamos um passeio com a família dona do hostel e da agencia de passeios. Todos iriam fazer o passeio para o vale del colca de um dia(o terceiro conjunto de cânions mais altos do mundo e lar das maoires aves do mundo, os condores peruanos). Eu, Eduardo e Gustavo Alpaca continuaríamos o passeio em um trekking pelo Cânion(mais um dia) e os outros iriam para Ica(um lindo lugar desértico do Peru). Queria fazer o trekking no Vale porque já tinha uma idéia de sua grandiosidade pelos relatos de outros mochileiros e comprovei isso como vocês poderão ver no próximo post.(Acho que tudo deu uns 65 dolares)

Mapa

Utilidades – Pela segunda vez na viagem na viagem coloquei minha roupas para lavar. A primeira foi em Potosi, Bolívia. Lavaram por 7 reais(bom, não?) com exceção de cuecas, meias e coisas fáceis de lavar. Aproveitei também para dar uma bela cochilada até umas 9 da noite.

Acordamos eu e Alpaca e novamente os outros não quiseram sair. Conversamos com uns chilenos interessantes que estavam viajando só de carona pelo Chile e Peru. Viajar assim por esses países é ainda algo tranqüilo de se fazer em grupo, principalmente pelas estradas do deserto. Eles nos confirmaram que havia duas ruas com as melhores nights da cidade. Uma era aonde os locais iam, era meio longe e outra era uma perto do hostel, onde era metade local, metade de fora… a rua São Francisco( onde fomos). Acabou que eu e Gustavo nos vestimos igual. Calca jeans, tenis e uma camisa clássica do Glorioso Flamengo( a do Junior, campeã do brasileiro de 91). Decidimos que iriamos iguais mesmo, um seria Mozart(Alpaca) e outro Andrade(eu)((nomes de craques antigos do Flamengo)), jogadores juniores do Flamengo.

Plaza

Night – A charmosa São Francisco possuía restaurantes chiques, boates e Pubs que se caracterizavam por terem a antiga fachada colonial, branca-cizenta por fora e uma moderna estrutura por dentro com luzes, mobília temática, drinks in english e aspecto “Cult”. A rua estava cheia, havia peruanos e gringos bonitos, muitos policiais e algumas barraquinhas de balas e cigarros. Olhávamos os lugares e éramos assediados pelos gritos,  rostos, bebidas baratas e garçons. Até que chegamos a boate nos indicada, a Deja-vu. Acho que é a boate mais gringa da cidade e por isso mesmo chegamos lá com certo preconceito porque queríamos ver ambientes peruanos. O lugar era cheio de bandeiras de países no teto, pilastras e paredes brancas, dois balcões, ambiente escuro, meio boate, meio happy hour. Segundo andar havia os banheiros e o terraço com fogueiras e música mais amena. Era um lugar maneiro, cheio de mulheres e bem interessantes.

No bar pedimos o famoso drink peruano Pisko Sour, a nossa Caipirinha, Pisko(um destilado tipico peruano) + clara de ovo + acucar + uma pitada de pimenta. Muito bom, minha bebida preferida da viagem. Enquanto bebiamos, Gustavo falou:

–        Yuri, tem um laser na sua bunda.

–        Que?

–        Um Laser cara. Olha ali ó.

Olhei e logo entendi. Eram três meninas numa mesa e uma delas tinha um laser que tentava esconder( e não tentava)(( aqueles de luz vermelha que já foi moda no Brasil)). Dois minutos depois elas apontavam o laser novamente e dessa vez era para o Gustavo. Depois desses chamados partimos para o encontro delas – Hola, Yo soy Andrade e este és Mozart – Papo pra lá e papo pra cá e já sabíamos que ali ia rolar. Provei uma cuba livre peruana estranha e as meninas nos chamaram para dançar. Antes fomos pegar o segundo drink e enquanto esperávamos apareceu do nada uma princesa de tiara prateada conversar conosco. Perguntou se éramos brasileiros, disse que era seu aniversário de 18 anos (quando as meninas lá fazem 18 anos, usam tiaras) e nós falamos que éramos jogadores juniores do Flamengo e que estávamos de férias. Depois de 5 minutos de conversa apareceu umas 10 pessoas sorrindo, nos cumprimentado, falando para caramba, gritando e tirando muitas fotos. Eu não sabia se ficava envergonhado, feliz, surpreso, excitado. Naquele momento éramos artistas praticamente dando autógrafos e apesar de achar essa história de popstar uma babaquice fiquei realmente extasiado com aquela situação totalmente nova e inesperada. Olhava para Gustavo que havia incorporado o personagem de vez, fazendo poses e levantando o nariz. A princesa queria gustavo e foi logo se jogando para cima dele com muito entusiasmo. Conversava com outras pessoas e me preocupei com um gay que estava muito animado e perto de mim, confessei meu temor para o Alpaca que depois de me zoar por uns minutos conversou algo com a princesa que rapidamente sumiu de nossas vistas.

Enquanto esperávamos a princesa, reparamos que as três primeiras mulheres foram embora. A menina da tiara voltou com uma amiga (sim, para mim). As duas eram lindas, exóticas para a nossa sabedoria, uma mistura entre indígena peruano e espanhol. Dançamos reaggaeton e internacional e foi tudo bem rápido. Troca de olhares, dançar colado e um beijo cheio de vontade. Seguido de muitos outros e danças e sorrisos e beijos e amassos e mão aqui e mão lá e mão acolá. Em uma cena estávamos sentados no sofa 180 graus nuns amassos incríveis e em outra conversava com Gustavo da hora. O passeio começava as 4:00 da manha e já era 2:30. Mais amassos, convites para algo mais, convite parcialmente aceito, negociação em aberto e desse vez o Alpaca que me chamou.

–        Yuri, já são 2:50, vamos se não vamos perder o passeio.

Concordei com o amigo, nos despedimos das princesas e saímos da deja-vu. A night ainda estava cheia e promissora. Passamos por uma boate que parecia ótima. Ia entrar e Gustavo me voltou a razão. Comemos um podrão e voltamos para o hostel. Chegamos com ainda uma hora de sono. Deitei e desmaiei com um baita sorriso no rosto.

By Renata - Periferia de Arequipa

Estrada – Acordei passando mal, todos ainda dormiam e fui correndo para o banheiro. Havia bebido de tudo na noite anterior e gastei pouco, uns 35 reais e bebi equivalente a 200 reais no Rio de Janeiro. Relaxava um pouco num banho demorado quando ouvi Renata, com sua voz as vezes grave, gritar:

–        Vamos Guris !!! O Onibus já está aqui.

Levei um susto! Já era hora do passeio. PQP! Terminei o banho e arrumei minha mala o mais rápido possível. Entrei no ônibus ainda bêbado, totalmente tonto, via tudo dobrado, não entendia o que me falavam e sentei acidentalmente do lado de alguém que nunca tinha visto antes. O pior que o ônibus estava todo fechado com o frio da noite, eu queria era arrotar e peidar para aliviar a ressaca maldita que prometia explodir minha cabeça. Fui assim pelas primeiras horas do caminho, alucinado e caindo pelo corredor. Num momento vi que sobrou uma vaga ao lado do meu amigo Eduardo e não pensei duas vezes. Fui até lá e no caminho me aliviei um pouco. Sentei preparado para tirar um bom cochilo. Conversei uns 5 minutos com Edu e quando começava a cochilar um peruano ao meu lado começou a puxar conversa. Primeiramente chamei o hermano de viado, filho da puta com a voz baixa e ao mesmo tempo apertava a sua mão. No segundo posterior já me sentia arrependido pela grosseira não compreendida por Gomes que sorria e mandava uma seqüência de perguntas. Ele foi um dos peruanos mais figuras que conheci na viagem. Era um professor de literatura latina, fisiculturista e músico amador de Lima. Viajava pelo peru e tinha um inglês muito bom. Já havia viajado por varias cidades da America do Sul e me mostrava fotos do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo que via dois Gomes e sentia-me enjoado, impressionava-me pelas lindas fotos ao lado de cariocas deslumbrantes.  Ele me apresentou a alguns amigos europeus e lamentei por estar tão mal. Ele me mostrou também as suas músicas no celular, era uma mistura de estúdio de fundo de quintal com algumas músicas realmente originais e sensacionais. Chegou um momento que botei meus óculos escuros e pedi educadamente para encerrarmos a conversa ao meu amigo latino e cochilei tranqüilo apreciando a paisagem.

Edu me acorda, havíamos chegado num hotel no meio do caminho e era a hora do café. Chá de coca, café, mantequilla, pão e geléia. Segui viagem aliviado pelo poderoso chá de coca. A paisagem era algo extraordinário. Um brasileiro não pode imaginar algo igual. Era uma estrada ao lado de cânions espetaculares e Gomes me contava lendas peruanos( as dos chapeis).

O espetacular Vale del Colca

Vale Del Colca – Chegamos finalmente ao vale del colca. É um lugar com muitas turistas, de todos os tipos esperando para ver o todo poderoso condor. Eu não consegui ver, em verdade só vi um vulto de condor e depois o vi empalado, uns 3 metros de envergadura e patas que me destruiriam facilmente (quase um pterodátilo hehehe). O vale é uma das coisas mais deslumbrantes que vi nessa pequena vida. Aquele tipo de imagem que te deixar sem ar, de tão exagerada e imensa.

Soube que Marlon, Cris e Diego estavam ali também. Emocionado, fui ao encontro deles e depois de cumprimentos efusivos e profundos estávamos sentados, o grupo original de 11 pessoas naquele lugar maravilhoso, conversando e tocando violão. Falamos de nossas viagens, dificuldades e ganhamos fãs Alemãs e Holandesas que nos presentearam com belos sorrisos e o endereço delas em cusco(post futuro). Quando eles se foram, Marlon botou metade do corpo do lado de fora do ônibus e Gustavo correu atrás como numa cena de filme. Ri até o estomago e os pulmões doerem.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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3 respostas para Peru – Arequipa – Primeiro(night) e Segundo dia(Vale del Colca)

  1. Pingback: Arequipa IV – Trilha, El Paro e Conquista « Plano Andorinha Sagaz

  2. Paulo Sérgio disse:

    Boa tarde, e encantador um paraíso esse lugar só que não e para todos admirar de perto eu gostaria de passear com minha esposa nesse lugar se tiver alguém que possa realizar nosso sonho será importante para nós obrigado pela atenção Paulo Sergio.

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