Chile – Iquique – Trabalho Inercial

Cheguei a Iquique meio contrariado e acabei gostando muito da cidade. Em verdade,  nela não há nada que meus olhos não tivessem visto em cidades litorâneas. Ruas razoavelmente bem cuidadas, área comercial, área perto da praia com calçadão e apartamentos luxuosos a beira mar. As diferenças eram poucas: cassinos hiper coloridos e iluminados, um puteiro gigante e iluminado pelos canhões de luzes também multicolores (pensei primeiro que era um circo até o taxista me corrigir. “ És una zona senor”), “Bueno”.

Ficamos no hostel Profesores Flores, no centro da cidade, bem confortável e charmoso. Daqui não lembro bem da ordem das coisas:

– De manhã fomos até a zona franca, onde os produtos têm menos impostos e são bem baratos. Vale a pena dar uma passada lá. Cada um comprou uma bugiganga e o negócio era pechinchar ao máximo. Fiquei particularmente fascinado pelas lojas de instrumentos e fiquei tentado a comprar um violão Condor Americano. Lá compramos: eu, Edu e Gustavo um violão dos mais comuns por 70 reais e um tambor pequeno 15 reais. Felizes, comemos numa praça de alimentação. Foi interessante comer num ambiente daqueles depois de mais de duas semanas comendo em lugares pobres e ermos.

– Visitamos o centro da cidade onde levei outro choque entrando em uma Mega-store de 6 andares, bem grande. Lembro de Renata e Gustavo dançando eletrônico dentro da loja e Marco debochando como sempre com seu sotaque meio paulista, meio mato-grossense “retarrrdados”.

– Lembro do pessoal na praia feia para os padrões cariocas. Eu amo o mar, qualquer um me agrada e aquele não foi exceção. Mergulhei pela primeira vez no pacífico e foi legal me sentir do outro lado do continente, mas a água estava poluída pelo óleo do porto. Ficamos de bobeira debaixo do guarda-sol. Tentei afinar o violão até o mi arrebentar, xinguei Deus e o mundo junto com a galera. A praia também não tinha muita gente bonita e o pior…(momento de silêncio)… era proibido beber bebida alcoólica. No beer. Fucking beach.

– As meninas apareceram num programa de TV na praia. Lali adorou e até desfilou para a câmera. Não vi, mas fiquei imaginando tal coisa. (risos)

Galera na praia sem cerveja e violão.

– Eu e Gustavo voltamos para o centro a pé atrás de cordas e um afinador eletrônico. Foi legal se guiar por um mapa pela cidade, até que agente andou certinho. Táxi para a zona franca e Lá compramos cordas e um afinador. Trocamos a corda lá mesmo e afinamos. Nesse meio tempo, fomos expulsos do shopping da zona. Por quê ? Estávamos sem camisa e o Gustavo ainda estava descalço. Andar sem camisa lá é incomum, até mesmo perto da praia e chamávamos muito a atenção por onde andávamos e para piorar Gustavo andava descalço com o pé estupidamente imundo (o famoso pé preto). O senhor segurança foi educado. Explicamos que não sabíamos que era um mal hábito e pedimos desculpas. Ele disse que tudo bem, mas teríamos que sair. Saímos, rimos muito daquilo e pegamos um táxi. Alias, lá existe o táxi compartilhado que como o próprio nome diz você compartilha até encher e paga bem menos pela corrida.

– Voltamos e íamos até a praia reencontrar com o pessoal. Até que encontramos uma praça linda, linda mesmo. Seguida de um calçadão onde passava um bondinho. Com vários restaurantes charmosos e aparentemente caros. Não resistimos e tocamos as primeiras músicas com o violão ali. Foi ótimo, o pessoal parava para nos ouvir. Ficamos assim uns 30 minutos até que saímos a contragosto para encontrar com o grupo.

– À tarde preparamos a festa “surpresa” para a Carol enquanto ela tomava banho. Ela aparece e cantamos parabéns. Momento bonito do grupo, um dos melhores. Carol chorou, tiramos fotos e agradeci a deus por ter tanta sorte.

– Bebemos toda a cerveja e bebidas esquisitas locais. Toquei violão, Lali também, dançamos forró e desafinamos bêbados.

Feliz aniversário Carol!

– Ainda era cedo e todos estavam borrachos. Os homens começaram a tomar banho para a night, foi uma sacanagem só, todo mundo bêbado, gritando, falando palavrão… Eu e Edu sacaneando Gustavo no banheiro, depois os dois me zoando quando fui tomar banho, cantávamos funk, Gustavo andou pelado pelo hostel (hahahaha) para a alegria do nosso amigo de quase dois metros.

– Aquele dia, todos estavam sedentos por night. Primeiro tentamos um lugar onde tocava salsa. Fail. Só tinha alguns espíritos da guarda do Pinochet e nós. Depois fomos para a praça bonita e só vimos pubs meio caros. A harmonia do grupo se desfez e todo mundo ficou perdido em relação ao nosso destino. Na verdade, eu e o Gustavo queríamos dar um perdido nas meninas. Achávamos com certa razão que as meninas boicotavam (inconscientemente) nossas investidas. Em verdade, acho que era metade elas e metade nossa inércia frente às batalhas noturnas. Tanto que depois dessa noite bem sucedida não tivemos mais problemas com isso. Conseguimos o que queríamos e infelizmente o Edu não quis nos acompanhar. Eu e Gustavo Alpaca estávamos sozinhos e decidimos comer uma pizza pela rua bonita.

– Pizza ótima com direito a música chilena tradicional de ótima qualidade. Emocionamos-nos com música. Conversamos sobre o violão, mulheres e o chope deliciosamente gelado. Havia 3 gringas na mesa ao lado. Terminamos e conversamos com ela. A desculpa era para perguntar qual era a boa da noite. “There is a Nice place in south, but I don´t remember the name”. English para lá, english pra cá e elas falaram de uma tal boate um tanto longe dali. Acho que elas gostavam da conversa, mas eram meio fechadas, nada do que o uma insistida maior da nossa parte, mas estávamos aquecendo ainda, saindo da inércia. Despedimos-nos e fomos para tal boate.

Rua dos restaurantes

– No Caminho fomos pela praia, bêbados ainda. Alpaca dormia no banco de trás e eu enchia o saco do motorista na frente. A praia a noite era bem mais bonita. Toda iluminada e com jardins grandes no calçadão. Passei pelo tal cassino, pelo puteiro-circo e descobri uma nova cidade bem diferente, a qual o taxista falou que era onde estavam as “buenas chicas”.

– Chegamos a boate(não lembro o nome) lá pelas 22:30. Era melhor boate da cidade, havia dois ambientes e era pequena para os padrões cariocas. Bebida barata, poucos pessoas e éramos os únicos gringos ali. Heineken com redbull para acordar e não ficar ainda mais bêbados. O pessoal ia chegando e era engraçado ver os chilenos usando roupas, cabelos e maquiagens ocidentais e “fashions”. Metades das mulheres eram bem estranhas e a outra bem interessante. Chegaram mais gringos, mas ainda éramos poucos e a boate estava “cheia”. As chicas nos atacavam, se jogavam, um chileno veio falar da colega dele, infelizmente eram feias (hehehe). As bonitas também estavam solicitas, mas só na linguagem corporal. Virando pescoço, olhando, meios-sorrisos, chegando de lado. Estão imaginando que agente estava se dando bem!? Nem tanto, eu estava travado e Gustavo mais seguro. Ele me ajudava e enrolei até que no momento que íamos chegar em duas gostosas, elas foram embora. Fiquei puto, porém logo passou quando outra “guapa” passou do meu lado e me arranhou, com a mão cheia, as minhas costas andando rebolando para o outro lado da sala. Gustavo não viu e apontou-me duas mulheres que víamos antes. Eram mais bonitas do que a arranhadora. Fui com tudo e começamos a conversar no portunhol. Era muito engraçado, “Olá linda, mi nombre és Yuri, prazer”, “como, uiri?” “non”… E fui assim levando. Ela me ensinava espanhol enquanto me fazia mil perguntas. Estava obviamente gostando e chegava perto, olhava para o Alpaca e ele também conseguia domar a fera. Alguns minutos, tapinhas no ombro, mini encoxadinhas e estava quase beijando quando as luzes se acendem e a música pára. A boate fechava. Decepcionados! Saímos e conversamos do lado de fora. Lá, elas evitavam claramente um contato mais íntimo. Fui cara de pau e perguntei por que ela estava  distante se agente estava quase se beijando lá dentro. Ela explicou corada que não era costume beijar ali do lado de fora, que ali no Chile, apesar do pesares, ainda era uma coisa incomum beijar em público sem ser algo muito sério e tal(com exceção de Santiago). Realmente, dei uma olhada para as pessoas do lado de fora e ninguém se beijava, no máximo davam-se as mãos e ficavam abraçados. Elas insistiram para a gente aparecer no outro dia, nos deram telefone e falaram mais ou menos onde elas ficavam na praia. Nos explicaram que a praia ali era muito melhor. No final,  recebi um abraço gostoso onde ela roçou seu peito sem sutiã no meu e deu um sorriso maroto.

– Pegamos um táxi tunado na volta. Adoro carros e tive um longo papo com o motorista que levava o Honda Acorde com o aerofólio prateado com duas asas a uns 110 pelas curvas da avenida. Chegou até a fazer um mini-pega com um amigo dele, também taxista, dono de um Corolla todo preto de rodas enormes meio esportivo. Adorei!

– Outro dia,  acordo cheio de ressaca, vou para a rede e escrevo. Sinto-me ótimo como me sentia no Salar. Gustavo também compartilhava da alegria e contava sobre a noite para nossos amigos céticos. Falou a verdade e eles não acreditavam que a noite terminou ali com as chicas. E piorava conforme negávamos com deboche.

Gustavo –  E ai Yuri, vamos ficar mais um dia ?

Yuri – Sei lá, o grupo vai embora.

Yuri – Também quero encontrá-las de novo, mas foi só a primeira night do Chile, em Arica tem mais.

Gustavo – Isso, demoro!

Rompemos a Inércia.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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4 respostas para Chile – Iquique – Trabalho Inercial

  1. Márcia Schuindt disse:

    Nossa gostei muito dessa história e amei essa cidade!!!!!

  2. Rogério Büttner disse:

    Cara!
    Estou aqui pesquisando sobre o meu mochilão e achei essa página. Rindo muito das histórias!!!

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