SALAR UYUNI – SEGUNDO DIA

– Hey guys! Wake up!!! We need to be th…..

Eu acordava tonto e confuso naquele quarto estranho. Parecia um sonho, mas não era. Estava no meu segundo dia no deserto, num quarto ainda escuro, feito de sal e um americano me acordava falando inglês. Acho que ele estava preocupado com a hora, tentava ser gentil, mas meu mau humor pós – sono fez-me xingar uns palavrões, mentalmente,  e falar qualquer piada sobre acordar ouvindo inglês com os outros brasileiros.

Levantei distraído e fui até o banheiro escovar os dentes saindo para sentir um pouco o vento.

– Meu deus, eu estou mesmo aqui!

A beleza do salar no horizonte do final do amanhecer quase me cegava; senti uma felicidade única e sutil. Não mais aquela coisa forte e intensa do primeiro dia , e sim algo cadenciado, equilibrado e confortador.

Tomamos um rápido “café” e fomos arrumar as coisas no carro. Dessa fez vez os dois land crusier iriam juntos. Ajudei uma mulher japonesa atrapalhada com sua mala pesada, “domo thank you”, conversei um pouco com Gustavo e Edu da noite passada e fui para o carro.

Nosso “faz-tudo” e motorista Andreas brincava com seu Toyota. Adorei ver o 4×4 funcionando a toda, entrando nas curvas,  saindo de traseira e pulando. Rapidamente chegamos a San Juan, um vilarejo um pouco maior. Encontramos com as argentinas. Um brincava com outro pela noite passada e os que estavam com Exu no corpo sofreram um pouco. Dei um beijo de despedida na minha e comprei uns mantimentos. Há criação de lhamas por lá, para o deleito dos turistas.

Seguimos viagem e paramos num lugar de terreno diferente, era bem bonito e calmo. Via muitas montanhas de lá. Estava “zen” nesse dia, desde manhã. Sentei, meditei, ora fechando os olhos, ora olhando a montanha imponente na minha frente.

Magic Montain

Adiante paramos na laguna de Chiguana. Linda e com muitos flamingos. Acabei batendo um papo longo com Joanne e Emma. Elas estavam viajando já durante um tempo e iam completar um ano de viagem saindo do deserto, indo para Argentina e terminando no Brasil. Queriam conhecer o Rio e , além de outras coisas, o carnaval. Como um bom carioca, dei conselhos e dicas sobre os lugares, o básico. Joanne gostaria de ficar seis meses fazendo trabalho voluntário  no Rio ou em algum lugar da Argentina. Falei da ONG de Curicica, no Rio, onde precisavam de professores de inglês e falei de minha cidade tão maravilhosa, quanto perigosa.

– What do you think? Could I work there (Rio de Janeiro)?

– Hard to say Joanne, I don´t know you very well. Just try. Sorriso.

Emma e Joane

Almoçamos por lá e foi meio penoso porque o sol estava castigando. Saímos de lá e conhecemos uma sequência de lagunas todas maravilhosas. Então , o Toyota do outro grupo começou a dar problemas. O “faz-tudo” e motorista Alex tentou consertar. Achei até interessante que vários veículos pararam para ajudar. Porém, eles foram ficando para trás. Eu, Marc e Léo (cariocas) lamentamos  porque queríamos tirar uma foto pelados com eles… Explico:  no salar,  antes de nos encontrarmos,eles viram um grupo tirando fotos nus e imitaram. Vimos algumas fotos e queríamos fazer o mesmo. Infelizmente o carro deles foi ficando e não nos encontramos até chegar ao hostel. Paramos na árvore de pedra, um lugar onde havia muitas rochas com formatos singulares e a principal parecia uma árvore. Ficamos escalando umas pedras e tive certa dificuldade em alguns lugares. Altitude.

O Toyota de Andreas

Por ultimo conhecemos a laguna mais bonita de todas. Fiquei sufocado com tanta beleza e calado, dediquei algumas lágrimas. Não tenho palavras para a Laguna Colorada.

Chegamos ao hostel cansados e descobrimos que estava quase lotado. Pois é, nesse hostel acontece isso com certa frequência, pois é só um, em uma área muito grande. Não é possível fazer reserva e quem chegar primeiro fica. Acabou que conseguimos hospedagem. Acredito que foi o lugar com mais gente diferente por metro quadrado em que estive. Tinha japonês, coreano, alemão, espanhol, americano, colombiano, africano. Tinha um chinês engraçado contando piadas em inglês com a cara do Jack Chan. Só existia um banheiro para banho, no qual eu quase congelei; coisa de mochileiro; vibrei. Tinha água quente, mas era caro e tinha que esperar alguém trazer de algum lugar. No final,  esperamos pela janta onde iríamos fazer um mini-festa com o pessoal do outro carro. O problema é que eles chegaram tarde, o carro quase enguiçou de vez no deserto. Chegaram hiper cansados e descobriram que definitivamente não havia quartos. Reclamaram e arrumaram um quarto adaptado para eles e depois perceberam que era o quarto dos motoristas e que os mesmos iam ter que dormir nos carros, no frio do deserto. Enfim, eles não apareceram para comemorar conosco. Enquanto isso, conversava com Emma. O papo foi louco; falamos de Deus, energias, pensamento positivo. Ela manifestou  interesse em ficar um tempo nessas comunidades espirituais. Fomos conversando enquanto eu a observava caindo para o meu lado, ficando solícita e perto. Então, num momento, Joanne chamou Emma e começou a conversar. Enquanto isso, tentava tocar Charango (estava muito desafinado e tem som de cavaquinho) e até tentei um Rappa. Voltei a conversar com Emma e percebi que já não estava a mesma coisa, olhei para Joanne e entendi tudo. Ela estava sozinha ali e ficando com sono, enquanto os outros estavam conversando entre eles. Queria ir e levar Emma com ela. Xinguei Gustavo mentalmente por não ter aparecido. As duas me pediram várias desculpas, Joanne principalmente (empata foda). Então com elas quase partindo, Gustavo chegou. Estava tímido, devagar e não adiantou muito. Ganhei um beijo carinhoso e demorado no rosto e um “tomorrow honey”. E dei um pedala no Gustavo, logo quando elas saíram.

A noite terminava. Um grupo muito esquisito se formou: Os brasileiros chatos que estavam tranquilos e, até legais, eu, Gustavo, Carol, Jakie Chan e companhia, Léo e Marc. Ficamos contemplando as estrelas, num frio estúpido, felizes e trêbados.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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3 respostas para SALAR UYUNI – SEGUNDO DIA

  1. Gustavo disse:

    Tava morto po… tava achando que ia ter que durmir no meio do deserto … não tive culpa =]]

    até fico triste tbem de não ter chegado mais cedo =P

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