VIAGEM A UYUNI – Problemas de Grupo

Nono ou décimo dia de viagem – Bolívia – VIAGEM A UYUNI

Encontramos uns brasileiros bem chatos que por um infortúnio pegaram o mesmo ônibus para Uyuni, alguns do grupo gostaram dele(vou chamar de grupo alfa) e curtiram uma bagunça que incomodou todos no ônibus a ponto de estressar até o Gustavo(o mongol mais sociável que conheço). O bom foi que conheci melhor meu futuro-irmão branco Eduardo. Reclamamos dos chatos e organizamos uma fuga do grupo para depois do deserto. E sabe aquele sentimento de cumplicidade diante de um momento de dificuldade, a partir daquele momento começamos a criar isso e apesar de já ter tido conversas profundas com ele, acredito que nesse momento começamos a construir nossa amizade. Falamos de tudo e é claro no final o papo terminou em família e mulher(das relações fastfood). Ele possuía um tesouro a espera dele em outro mundo e era delicioso compartilhar isso. E no final chegamos  a duas conclusões naturais: os malas não ia querer largar do nosso grupo e que pelo menos nós dois não iríamos continuar com os pobres coitados. Na saída olhei e falei com o grupo e a maioria estava de acordo comigo(todos estavam irritados e não conseguiram dormir com a bagunça da noite). O grupo alfa não soube ou não escutou e acabou acontecendo uma série de enganos. No final explicamos para eles que não queríamos os chatos no grupo. Pediram-nos uma explicação e simplesmente disse “Eles são muito chatos e não fomos com a cara deles”. Acho que não acreditaram na minha explicação, pelo menos não naquele dia. Mas a verdade é simples, nossa próxima parada, o Salar Uyuni, é um dos lugares mais bonitos do mundo, eu sabia disso e não ia ficar com pessoas inconvenientes e malas atrapalhando minha viagem. Na minha cabeça era bem simples, cada um ia escolher para onde e com quem queria ir e só(mais nada além disso). Isso foi barra e houve briga. Poderia ficar escrevendo aqui sobre motivos e lógica, mas acredito de coração que isso só aconteceu pela falta de entrosamento natural do grupo. Todos estavam aprendendo sobre a viagem, sobre como se comportar em grupo e principalmente sobre o outro. No final cada um tirou suas próprias conclusões e para mim todos estão certos, mesmo os que praticamente me xingaram por ai e me chamaram de manipulador(hahaha).

A CIDADE DE UYUNI


O lado bom (realmente sempre há o lado bom) é que comecei a solidificar minha amizade com um dos caras mais nobres que eu conheço, o senhor Gustavo Bug. Por que bug ? Bom isso é uma longa história… rsrsrs. Porém depois de tudo, fomos procurar albergues e não achamos nada, todos estavam cheios. A cidade de Uyuni é bem diferente e para uma cidade no deserto é bem maior do que eu imaginei. Então depois de muito tentar deixamos o grupo alfa em um hostel e decidimos dormir na rua mesmo. Aconchegamos-nos na rua onde ficavam os ônibus de viagem. Botamos todas as mochilas juntas armamos um jeito de forrar o chão e nos cobrirmos. Estava bem frio. Primeiramente dei uma volta com o Gustavo, então conversamos bastante, principalmente sobre o grupo e contei meu plano de fuga. Ele disse que ia pensar e provavelmente aceitaria. Compramos umas cervejas quentes e falamos sobre a coisa mais importante e difícil na vida de um homem, a mulher. Então o sábio me disse uma frase que vou guardar para o resto da minha vida “Yuri, a mulher é o problema e a solução do homem”. Tão simples e tão verdadeiro. Depois de dar umas boas risadas voltamos ao grupo. Estavam perto deles umas meninas, na mesma situação que a nossa, que logo nos aproximamos e começamos a conversar. Eram universitárias bolivianas de Santa Cruz, Simpáticas, solícitas e pacientes com o nosso fraco espanhol. Falamos sobre Brasil e Bolívia. A fama do nosso presidente Lula é impressionante e praticamente todos nos perguntam sobre ele e o seu governo. Respondo o de sempre: “É um homem descente, honrado e com uma grande história, mas não pode fazer nem 10 % do que quer para o país”. Não entendo de política e na verdade é algo que quero distância, mas é claro que é um assunto sempre em pauta. E também gostei de ouvi-las sobre o governo de Evo moralles e de outros políticos de lá. Elas me falaram que o país é dividido por uma parte mais intelectualizada e rica e outra que apóia o Evo que é pobre e de maioria camponesa. Achei engraçado elas falarem de tudo isso em voz baixa, pois não queriam arrumar confusão. A política lá é levada muito mais a sério que no Brasil e pode ser motivo de brigas sérias. Falaram-me de um repórter que criticava duramente o governo de Evo e foi exilado na Europa(Isso lembra vocês de algo que aconteceu aqui no Brasil?). Falaram-nos de outras peculiaridades da Bolívia, sobre Uyuni e nos ensinaram um pouco de espanhol. Lembro da gente tentando aprendendo a pronunciar a palavra Perro (cachorro). É difícil, ficamos eu e Gustavo igual palhaços repetindo com elas a palavra Perro (Perrrro, perrro, perrro) tem que tremer a língua no céu da boca na hora do rrrrr. Rendeu boas risadas e meus fantasmas estavam fraquinhos quase voltando para o além.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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7 respostas para VIAGEM A UYUNI – Problemas de Grupo

  1. Pingback: SALAR UYUNI – COISA DOS HOMENS « Plano Andorinha Sagaz

  2. rodolfo disse:

    bacana! curioso que esse foi o post que mais me deu vontade de estar na mesma situação. mais a parte do meio pro final. talvez por falar mais de relaçoes e encontros entre pessaoas, do que de lugares e paisagens. talvez, estou tentando adivinhar um motivo. nao sei bem.
    e esse papo com as bolivianas deve ter sido otimo.
    abraço!

    • Yuri Mota disse:

      O papo com eles foi ótimo pq foi um dos poucos sinais de pensamento diferente na Bolívia. Isso é raro por lá, acho que é necessário e ir mais fundo para isso e ficar mais tempo nas cidades grandes. É uma curiosidade minha, acho que um dia vou a potosi só para isso ou cochabamba. O a outra coisa é que esse foi o começo da minha dupla com o gustavo para “conversar” com as mulheres que foram aparecendo na viagem. hehehe

  3. Fred disse:

    O problema surgiu antes mesmo da viagem, ainda no albergue. A bagunça no ônibus, além de não incomodar ninguém, não foi o motivo da “confusão”.

    E pobre coitado é você, querido, que se importa com tão pouco e se prende a detalhes insignificantes.

    De qualquer forma, peço desculpas pelo incômodo. Eu só estava me divertindo.

    • Yuri Mota disse:

      Ao mesmo tempo que me senti lisonjeado com a visita, fiquei desconfortável com as suas palavras. Em parte porque é sempre difícil criticar as pessoas e pior saber que afetou de forma negativa. A idéia do blog é registrar a minha viagem em detalhes que eu nunca vi em outros relatos. Como por exemplo saber melhor como acontece os perrengues e problemas que enfrentamos. Tendo isso em vista, imaginei que um dia alguém pudesse ficar chateado com a minha visão das coisas que aconteceram e acho natural. Afinal é um representação dos meus pensamentos e eles estão longe de ser nobres e perfeitos. Além de muitas vezes eu me equivocar na hora de escrever algo.

      Em fim, pode parecer enrolação, mas não sou disso. Naquela noite vcs não foram chatos… foram chatos pra caramba. E olha cara, que esse grupo em que eu fui fez muita bagunça nos ônibus e quando eu sentia vontade de dormir, dormia tranqüilo. Até o Gustavo que é a pessoa mais sociável que eu conheço ficou muito puto como todos ali, com excessão das nossas fantasticas amigas, ficaram de saco cheio.
      Acabou que quando descemos decidimos que seria melhor vcs não continuarem conosco. Podiamos ter falado diretamente com vcs, sim. Mas na hora, ninguem quis falar, ninguem tinha saco e animo para isso. Nem as que confraternização com vcs.
      No hostel, na verdade, tinha um pentelho, dos outros eu não tive nenhum problema e gostei particularmente de vc, me pareceu um cara maneiro.
      E depois também minha opinião mudou bastante sobre ele nos outros encontros na viagem.
      A minha idéia era muito simples quando cheguei a Uyuni, não vou continuar com um grupo para ficar me chateando por tão pouco, então foi o que eu disso lá na hora para o grupo, quem quiser ficar, fique.
      Desculpas aceitas e tb deixo a minha ! Abraço!
      ps.: O pobre coitado é até aceitável, mas chamar de “querido”… tava tão bem na crítica. hehehe

  4. Lucas Mendes disse:

    HuAhUaHuA!!!
    O lance é que mochilão não é pra menino criado com vó… kakaka
    E por onde eu passei durante meus dois meses de viagem, eu “quebrei tudo memo”: conheci lugares e gente pra caramba, zuei, toquei violão pra galera, fiz amizades (e nenhuma inimizade) bebi todas, chapei grandão e arrepiei as gatas demais!
    Mas não houve, durante toda a viagem, sequer uma vez que tenham me dito que eu incomodava (até porque, na minha opinião, essa seria a atitude menos covarde de alguém que se julga insatisfeito com algo). Pelo contrário, teve gente (inclusive até outros brasileiros também) até mudando rota pra seguir viajando conosco. Muuuuuuuuuita gente! Mas eu não vim aqui ficar de discussãozinha fresca, não. Nem é a minha isso… Na verdade quando o Fred me disse da tua eminente chateação, eu quis vir também pedir desculpas. Não me agrada incomodar ninguém, e se eu o fiz, com certeza não me dei conta. Como o Fred também disse, eu só estava me divertindo.
    Desculpe por qualquer coisa que eu possa ter feito que não te agradou. Pode ter sido realmente questão de afinidades (ou algo mais, não? hehe), porque realmente não enxergo nenhuma afinidade entre nós.
    Teu blog está maneiro! Parabéns!
    Não vou ser carinhoso como o Fred te chamando de querido, mas assim como ele se preocupou ao te chamar assim, eu me preocupo… Por favor, não chora e emburra como em Uyuni, não! Hehe

    Salve!

    • Yuri Mota disse:

      Acontece Lucas ! No comecinho da minha viagem, antes de pegar o trem, tive umas atitudes bem idiotas e piores. Claro que não vou justificar issso dizendo que “quebrei tudo mesmo”.

      Engraçado falar de afinidades porque depois quando nos encontramos acidentalmente Eu, Edu e Gustavo conversamos sobre vc e até pensamos em falar novamente sobre o episódio do onibus para não haver dúvidas das nossas idéias anteriores e pq estavamos entendendo que vc era um figura ótima. Então lembro do Gustavo falando mais ou menos assim: “- Pra que falar disso, já passou, agora agente ta aqui em Cuzco e ta tudo bem”.

      Como falei antes. Para mim foi muito simples… Encheram um pouco o saco antes e depois encheram o saco full. Prazer em conhecer, tenha um ótima viagem e eu sigo por outro caminho. E passou. Não tem inimizade ou novela da tarde(que alias só fiquei sabendo quando fui subir o licancabur)((4 dias depois eu acho)) e é só uma história de blog(já passou).

      Desculpas aceitas! Abraço! Suerte!

      Ps.: Esse será o único momento do blog com esse tipo de comentário pq os outros encontros foram melhores, muito mais dificeis, mas muito mais ricos.
      Ps.: Obrigado por ler o blog e pelo elogio!

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