Narco – Amigos – Traficantes

Muitas coisas interessantes na nossa vida acontecem de forma inusitada e são impossíveis de ser premeditadas. E assim é a história dos primeiros amigos que fizemos na viagem.  O sol daquele dia castigava a cidade de Puerto Quijarro enquanto esperávamos o trem da morte; tinhamos muito tempo livre e nada para fazer. Então decidimos, por que não, comprar umas cervejas num bar. Compramos, sentamos, bebemos e então apareceu o senhor Javier (rrrravier) e nos cumprimentou dizendo ser o dono de uma plantação de folha de coca*. Convidou-nos para visitá-la em Santa Cruz de La Sierra. Papo vai, cerveja vem, ele gostou do grupo. Pôs as caixas de som com música boliviana bem alta, colocou a nossa bandeira do flamengo na parede do bar e juntamos as mesas com os outros bolivianos. Falamos um monte de besteira, sobre o país, Evo Morales, Flamengo, os times bolivianos, Corinthians, mulheres, Brasil, papo de bar. Eles deram em cima das meninas. E, 10 cervejas depois, Javier nos contou que era químico e fazia cocaína. Logo depois apareceu outra figura com camisa de time de futebol que falou que também trabalhava com isso. Contaram algumas histórias, inclusive que já tinham sido presos e passados uns perrengues. Pagaram-nos mais cervejas, acho que mais da metade que consumimos e nos ofereceram de tudo. Obviamente somos um grupo careta e não aceitamos nada, pois é ilegal, claro. Apenas um amigo que conhecemos em Corumbá aceitou o convite do narco para entrar na casa dele, que ficava do lado do bar numa vila. Ele relatou que a vila é surreal, com patos, galinhas, vacas e lhamas. Ele entrou no quarto do rapaz onde havia uma cama, uma mesa e um armário. Então ele abriu a primeira porta do armário e viu ele cheio de maconha, depois abriu a do meio e estava cheia de haxixe e a ultima toda cheia de cocaína. Ficou perplexo com tanta droga.

10 cervejas depois...

Resumindo foi uma tarde bastante agradável com pessoas simpáticas e solicitas. Acho que pela primeira vez senti que a viagem ia ser algo extraordinário e intenso. This is Bolívia.

*A folha de coca é algo leve e não é nada de mais. É como se sentir bem tomando café, ou um chá concentrado. Tem gosto meio esquisito no  inicio e depois agente se acostuma. Funciona muito bem contra o mal da altitude e não é ilegal na Bolívia.

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Sobre Yuri Mota

Sou Yuri Mota, carioca, estudante de engenharia, mochileiro, amante da boa música,de violão, canto e também amante de robôs e automobilismo. Amo a vida, me considero um privilegiado e gosto de tantas coisas que é difícil resumir aqui. o blog é sobre minhas viagens, minhas impressões e idéias sobre tudo que acontece ou não. Dando uma atenção especial ao estilo de viajar mochileiro, a reflexão sobre o comportamento humano e a pratica de trekking. É isso, leia e comente, por favor.
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