* Tentarei esse novo tipo de narrativa. Por diversão e curiosidade. Postarei mais fotos do salar depois. Tudo que eu contar aqui é mentira, tudo vindo da minha imaginação, deturpado, fantasioso e misturado.
———————————————————————————————————————————————————————————
A visão é de puro esplendor. O deserto do Salar Uyuni está na minha frente… Imponente, mágico, divino. O nosso 4×4 Toyota Land Cruisier segue lento pela pequena trilha deixada no chão branco do deserto. Meu cérebro registra rapidamente todas as cores, formas e cheiros novos.
- Yuri;
- Yuri;
- Humm ??– Acordo do meu devaneio e olho para um dos passageiros do veículo. – O que foi Léo?
- Ai brother! Pode tirar uma foto para mim desse lado?
- Claro!
Enquanto eu tirava fotos da planície de sal o motorista começou a dar informações sobre o deserto em espanhol. Depois que parou Emma nos perguntou:
- Sorry guys! Could you translate ? – Com forte sotaque Inglês. E Marc traduziu.
Nossa trupe era composta por 8 pessoas. Três eram cariocas e jovens. E desde que entramos no carro conversamos e nos identificamos de primeira. Lembro de Léo pelo seu sorriso bonito, cabelo afro para o alto e pelos comentários e atitudes ora tipicamente cariocas ora tipicamente “mochileiras”. E Lembro-me de Marc pelo seu olhar em relação ao deserto, como se tivesse absorvendo a paisagem com o olhar abobado, lento e por algumas frases como a “energia da Bolívia é melhor porque não há violência do tráfico como há no rio”.
Paramos em num lugar onde havia vários 4×4 e estávamos pisando no sal. Tudo era diferente, nada igual ao que já tinha vivido antes, tudo. Éramos forçados a usar óculos escuros porque o sal refletia muita luz solar, tentei algumas vezes tirar os óculos e foi penoso e estupidamente claro. Estava molhado e um pouco alagado, o que deixava tudo mais bonito. Brincamos de tirar aquelas fotos especiais onde podemos fazer um jogo de imagem. O chão também me chamou bastante atenção porque ele não é claro como poderia se imaginar, é até um pouco escuro de perto. Fiquei emocionado com tanta beleza e fiquei num estado de transcendência ali, sentindo os elementos novos com intensidade. Até os gringos que estavam sérios e calados ficaram como crianças ali.
De lá fomos para uma mini-cidade onde tinha umas lojas e barraquinhas. Eram souvenires tão bonitos quanto caros. Era incrível ver aquelas casas no meio do deserto. Saímos de lá e fizemos uma longa viagem até a ilha de cactos, a Isla Del Pescado, magnífica e era mais um lugar diferente. Ver o deserto do topo da ilha é demais. Eu paguei 20 bolivianos para poder fazer a trilha da ilha, mas vi pessoas entrarem sem pagar apenas pegando a trilha do final para o inicio, ai é depende de cada um querer pagar ou não. Almoçamos na borda da ilha onde tinha uns bancos de sal e a comida até era boa. Feita pelo nosso motorista, cozinheiro Andreas, era bastante comida. Encontrei com o grupo e tiramos mais fotos tontos de sol, sal e beleza. Pairavam algumas duvidas em relação a conversas antes tidas que foram substituídas rapidamente por um largo sorriso e pelo vasto horizonte que brilhava.
Passamos também pelo deserto de sal no qual não vi nada de mais. A não ser o fato de estar literalmente no meio do deserto. Era só sal em volta, com algumas montanhas pequenas ao fundo. Alex nos falou um pouco da história do lugar, o que não ouvi picas deslumbrado com o horizonte. O sol começava a diminuir e estávamos saindo do deserto de sal para ir até o hostel que o bordeava. A viagem foi longa, todos ficaram calados, digerindo com todas as informações novas. Estava tirando fotos e vi Emma brincando com o dinossauro, ainda não tinha reparado muito nela. Emma é de Londres e lembro-me dela falando do cosmos com os olhos um pouco esbugalhados e falando com as mãos. Agente fez contato visual, nos apresentamos com nossos sorrisos e eu sabia que daí ia sair uma história.
Chegamos na menos-mini-cidade que fica num morro de frente para o Salar. Era mais um lugar fantástico onde metade era cidade e metade eram hosteis. O nosso era no alto, todo feito de sal. O chão inclusive. Empolgados, botamos as malas nos quartos onde cabiam perfeitamente as 7 pessoas de cada veículo e saímos para explorar o lugar. Subimos o morro, sofrendo um pouco com a altitude e tirando fotos. Havia cactus enormes e muitas pedras cor de barro. Eu consegui ver um gato-selvagem, ele é incrivelmente rápido e subiu em segundos um lance de pedras. Chamamos o animal de chupa-lhama porque no começo não o identificamos.
Voltamos entrei para pegar minhas roupas e quando entrei no quarto ouvi que o casal estavam conversando aos sussurros, eles tinham escolhido ficar em um quartinho improvisado dentro do quarto.
- Stop John, anyone can enter.
- Don´t worry sweet, there is nobody here. (beijos e roupas em atrito)
Estava eu saindo de fininho e então John quis provar a Michelle que não tinha ninguém e saiu de frente para mim. Sem graça por ter empatado a foda eu apenas disse.
-Sorry man.
Então entraram Emma e Joanne no quarto. Ele me fez um olhar de tudo bem, vou deixar próxima. John e Michelle eram o casal de americanos de Kentuky, sabe? KFC, da onde veio o fastfood que vende galinha frita e tal, segundo ele é uma cidade típica, pequena e sem muito que fazer. Saídos do colege. Ela foi líder de torcida e ele jogou algum esporte americano que esqueci. Ambos eram de fraternidades. Sempre vi esse tipo de americano em filmes e foi legal poder conversar com um pela primeira vez. Claro que aprendi que um americano que visita a Bolívia é singular.
Enquanto arrumava a mala e ficava brincando com o sal do chão, Emma começou a puxar um papo sobre os lençóis das camas. O dela era do x-men, o de Joanne era do Bob esponja e John saiu do quarto falando que o dele era do Power Ranger. O papo era boçal, mas pelo menos pela primeira vez quebrava o gelo com eles e Emma se mostrava mais encantadora. Nada comparado com a zorra que estava o quarto ao lado, onde ficava meu grupo. Brasileiro faz barulho sabe.
Sai do quarto e vi um fila grande para banheiro. Desisti e encontrei meu amigo Gustavo no lado de fora do hostel, conversava umas argentinas. Comecei a conversar com elas também, eram de Rosário(verificar)simpáticas, barulhentas, bonitas e doidas para fazer festa. No geral as argentinas que encontramos eram bem bonitas e vinham de Buenos Aires, Córdoba ou Rosário. E todos falam que Rosário é onde tem as Argentinas mais belas. Conclui depois que argentinas eram no geral simpáticas, falsamente solícitas, porque na verdade elas eram bem difíceis de jogo.
Decidimos então descer para ver a cidade e comprar cervejas para a noite que vinha. Desci conversando com um Frances de uns 30 anos e uma argentina que era uma graça. Não tinha o rosto muito bonito, mas era do tipo naturalmente charmosa. Usei meu Frances pela primeira vez com um local e ele foi bem paciente, sempre sorrindo. Depois mudamos para o inglês para que nossa amiga pudesse entender. Falamos de música e tentei passar um pouco para ele minha paixão pelo samba e o que o mesmo representa para mim. Eles gostaram muito e pediram para falar mais e mais. Conversamos sobre tango, música folclórica francesa e só paramos para ver o futebol entre os locais e estrangeiros. Impressionante o futebol sendo jogado naquele nada. Quase não achamos a venda. Íamos passando direto quando vi uma senhora saindo da casa, perguntei e ela disse que tinha uma venda. A senhora era simpática e nos vendeu cerveja Salta e um vinho duvidoso. Ventava muito forte e voltamos para o hostel.
Já era noite e fila para o banheiro continuava grande. Jantei primeiro, comida boa e simples. Todos conversavam bastante, alguns passavam mal com a altitude e outros já estavam bêbados. Juntamos os dois grupos fizemos brincadeiras de roda onde quem errava bebia. Pode imaginar que alguns ficaram alegres, outros bêbados e outros com o exu no corpo. Descobrimos mais do americano John e as meninas(do grupo) ficaram bastante “solicitas”, para o desagrado de sua namorada, que obviamente ficou meio de bico meio querendo ser simpática. E era engraçado também ouvir “ohh fuck” carregado de sotaque inglês de Emma toda vez que tinha que beber.
Cansei rápido daquela brincadeira, aproveitei que não havia ninguém no banheiro e fui tomar um banho de 5 minutos cronometrados rigorosamente por um boliviano que sempre dizia docemente , batendo na porta com carinho “5 minutos, 5 minutos”. Peguei uma cerveja e fui para os fundos do hostel onde tinha uns bancos e fiquei olhando as estrelas. Espetáculo divino, o céu mais bonito que já vi encarnado. Fiquei um pouco ali absorto pela divindade, chorei, lembrei da minha família, amigos e definitivamente os fantasmas se foram. Era fácil, era como se a natureza nos ajudasse a olhar para dentro. E olhando, eu sentia calma e compreendi muitas coisas. Era simplesmente fácil.
Gustavo apareceu depois com mais cerveja, sai da minha meditação e fomos chamar as argentinas para comemorar. Era aniversário de uma delas. Bebemos, conversamos. Depois chegou o grupo que estava lá dentro, então juntaram brasileiros e argentinos comemorando. Fizemos a maior festa. A luz dos geradores já tinha sido desligada e nem sentimos. Eu, Gustavo e Léo puxamos músicas batendo palma. De tudo, Tim Maia(estilo monobloco), trem das onze, black eyed peas, algumas músicas argentinas meio reggaeton e funk. Pessoal dançando, caindo, pulando e no final cantamos parabéns em português e espanhol. O pessoal foi se acalmando e outros não. Olhava para a argentina graciosa que conversei antes e ela retribuía. Fomos interrompidos por uns foliões ainda bem afoitos e passado isso conversamos num portunhol sussurrado e cantado. Olhando as estrelas rindo um do outro. Mandei minha primeira cantada em espanhol da viagem, estávamos encostados e como diz meu amigo Marlon: “Não haverá melhor momento do que este”.
PAÍSES






Cara, q saudade desse lugar, pqp, ainda volto ai! se bobiar esse ano dinovo hehehehe
Pra mim foi o melhor lugar da minha trip inteira!
simplismente perfeito!
É um dos lugares fantásticos nessa america do sul louca.